Cinema

Deboche, graça e um Eddie Murphy genial são a receita de ‘Meu Nome é Dolemite’

Filme da Netflix tem duas indicações ao Globo de Ouro e quatro ao Critics’ Choice

Heyder Mustafá* ((heyder.mustafa@redebahia.com.br))
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Após alguns anos longe dos estúdios de cinema, o sempre surpreendente Eddie Murphy volta a emprestar sua estrela para um personagem sem igual no imaginário americano da década de 1970. Com uma entrega sem igual, o ator vive o comediante, músico, cantor, ator e produtor de filmes Rudy Ray Moore em ‘Meu Nome é Dolemite’, nova produção da Netflix. Na tela, o que se vê é uma história engraçada, que se propõe a falar de superação, determinação e representatividade.

Não poderia existir oportunidade melhor para o astro que fez fama nos anos 1980 com ‘Um Tira da Pesada’ e o ‘Um Príncipe em Nova York’ retornar de forma meteórica às telas. Eddie Murphy coube perfeitamente no papel de Rudy Moore, um “faz tudo” que tenta o estrelato na concorrida e ambiciosa Los Angeles. Com algumas músicas gravadas e sempre esnobado por rádios e gravadoras, foi nas rimas inundadas de palavrões e obscenidades que ele cativou inicialmente o público negro e começou a ganha fama em shows de stand-up até perceber que seu trabalho poderia também ganhar as salas de cinema.

Foi assumindo a identidade de Dolemite, um cafetão excêntrico sem papas na língua, que ele começou a rodar os Estados Unidos fazendo show, tornando-se famoso e despertando o interesse de produtoras, gravadoras e estúdios. Apesar de parecer simples, a caminhada de Moore até o estrelato não foi nem um pouco fácil, principalmente por conta da cor de sua pele e do linguajar que ele adotava nas apresentações.

O preconceito, as dificuldades e a ambição do protagonista foram bem exaltados no roteiro de Scott Alexander e Larry Karaszewski, especialistas em cinebiografias, mas isso nem de longe faz o filme perder seu brilho cômico. Murphy é genial e seus colegas de cena vibram na mesma sintonia, com destaque para Wesley Snipes, irreconhecível no papel de um ator-diretor já impregnado pela repulsa hollywoodiana em relação à comédia feita por Moore. Além de suas indicações ao Globo de Ouro e ao Critcs’ Choice, ‘Meu Nome é Dolemite’ deve ser lembrado também no Oscar. O filme é uma prova de amor à sétima arte e marca o retorno de Eddie Murphy fazendo o que sabe de melhor. Que essa nova boa fase continue por muito tempo!

Heyder Mustafá é jornalista e produtor cultural formado pela UFBA, editor de conteúdo da GFM e Bahia FM, apresentador do Fala Bahia e apaixonado por cinema, literatura e viagens.