Teatro

Dia Mundial do Teatro: indústria teatral se reinventa durante pandemia do coronavírus

Com o advento das tecnologias, as apresentações online se tornaram uma alternativa para entreter o público

Luana Neiva** (luana.neiva@redebahia.com.br)
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Neste sábado (27) é comemorado o Dia mundial do Teatro e devido a pandemia do novo coronavírus, as produções culturais foram um dos setores mais atingidos, fazendo com que milhares de espetáculos fossem interrompidos. Porém, com o advento das tecnologias, as apresentações online se tornaram uma alternativa para entreter o público e movimentar o caixa.

Durante uma entrevista ao iBahia, o gestor do Teatro da Gamboa, Maurício Assunção, falou sobre os impactos da pandemia. Ele acredita que o movimento vai além das produções artísticas, mas por elas serem atividades que visam a aglomeração, foi um choque maior, que está sendo readaptado em outros formatos de apresentação.

"Com os impactos da pandemia, as comunidades artísticas e também outros segmentos de eventos, foram bastante afetados e isso está trazendo uma perca imensurável, não só na questão monetária, mais na subjetividade da preservação de grupos e atividades culturais em Salvador", disse o gestor do Teatro Jorge Amado, Nell Araújo.

Já para o Gerente de Equipamentos Culturais da Fundação Gregório de Mattos, Chicco Assis, o fechamento dos espaços culturais, a suspensão definitiva de suas atividades e o cancelamento de eventos, ocasiona em um número incalculável de desempregos diretos e indiretos.     

Readaptação durante a pandemia

Com a pandemia, uma das saídas encontrada para o Teatro da Gamboa, de acordo com o gestor da Instituição, Maurício Assunção, foi a criação de uma plataforma online para se fazer as transmissões e vendas dos espetáculos ao vivo. “No início de agosto inauguramos a plataforma que vem usada até hoje de uma forma potente, com apresentações, do mesmo formato usando do advento da tecnologia”. 

Segundo a gestora do Teatro Castro Alves, Rose Lima, a produção cultural da Bahia foi capaz de se reinventar, se reerguer, buscar soluções, inovações. E uma dessas saídas foram as apresentações online.  

“Temos boas notícias sobre espetáculos, performances, shows, experiências virtuais que têm atingido um público expressivo e com vitalidade. No TCA, em 2020, tivemos o alcance de mais de 150 mil pessoas com ações online como "Voltando aos Palcos", "Domingo no TCA", "Conversas Plugadas", além dos filmes “Abraço no Tempo” e “Um Concerto para o Guarda-Roupa”, entre outras, disse a gestora do Teatro Castro Alves. 

Conforme o Gerente de Equipamentos Culturais da Fundação Gregório de Mattos, Chicco Assis, devido a pandemia, o teatro sofreu adaptação e até ressignificação de suas artes e de seus espaços, passando a lançar mão de aparatos tecnológicos e de recursos do audiovisual para transformar os ambientes virtuais, em verdadeiros espetáculos. 

“Peças, shows, exposições, lançamentos de livros, oficinas, debates, tudo passou a acontecer pelas telas, inclusive com cobrança de ingressos e com intensa interação com o público”, disse o gerente.

Já para o gestor do Teatro Jorge Amado, Nell Araújo, a casa de espetáculo está fechada desde começo da quarentena e por falta de patrocínio, não está sendo realizado a apresentação das peças online. 

A arte no futuro 

Segundo o gestor do Teatro da Gamboa, o futuro do teatro será junto com o advento da tecnologia, onde as apresentações online e as presenciais irão caminhar lado a lado. Já que a ideia está sendo bem aceita pelo público, por agregar pessoas que jamais teriam oportunidade de assistir aqueles espetáculos por falta de tempo, por exemplo e ainda conseguem se comunicar com os artistas pós apresentação. 

“Além da monetização que a gente consegue a partir disso, as pessoas estão comprando os ingressos, fazendo com a sustentabilidade da arte permaneça”, afirmou ele.

Já para Nell, o segmento será o último a se estabelecer, sabemos que pós pandemia o teatro vai precisar se adequar até mesmo ver as possibilidades de transmissões online, porém se precisa de investimento, poucos teatros tem a possibilidade de transmissão, pois precisa de investimento. 

Conforme a gestora do Teatro Castro Alves, no futuro, a casa de espetáculo irá retornar suas atividades presenciais, mas sem esquecer das possibilidades que surgiram. “Hoje, um espetáculo pode ter um alcance enorme, mundial. Uma aula de dança pode ser compartilhada de Salvador para Irecê ou mesmo para Colômbia, por exemplo. E, com certeza, isso deverá ser incorporado no dia a dia das atividades artísticas e culturais”.

Para Chicco Assis, do Gregório de Mattos, alguns anos antes da pandemia, os gestores culturais já vinham debatendo sobre o público e a relação dele com as produções e espaços. Com a pandemia e migração da produção cultural para internet esse debate tem se intensificado.

"Como será o futuro do teatro, das artes, da cultura, após esse momento pandemônico, é uma grande incógnita, mas me arrisco a palpitar que a relação estabelecida com o ambiente virtual é um caminho sem volta e que nosso grande desafio a promoção da hibridização entre presencial e virtual", relatou Assis.

Sustento durante a pandemia

Segundo o gestor do Teatro da Gamboa, Maurício Assunção, por ser uma associação sem fins lucrativos, geridos por artísticas, produtores e técnicos em um formato coletivo, mantido pela secretaria de cultura, através do programa de manutenção das instituições culturais do estado da Bahia, o Gamboa recebe o recurso para manter as programações ativas. 

“Além disso, pela construção da plataforma, isso possibilitou a continuidade dos trabalhos de alguma forma, gerando renda durante o todo processo pandêmico que estamos vivendo”, disse Assunção.

Já para o gestor do Teatro Jorge Amado, Nell Araújo, o caixa do Teatro está zerado e um dos pontos importantes de tentar manter o teatro funcionando, era através de projetos que tem o apoio do teatro, como o teatro escola, que funciona dentro do espaço, que também está paralisado.

“Estamos esperando que com as novas medidas de retorno do comércio, possam contemplar os espaços de culturais, já que a gente movimenta milhões reais dentro da economia e acredito que o setor municipal e governamental, precisam ter um olhar mais apurado para a classe artística, porque pós pandemia pode trazer fechamentos de vários estabelecimentos culturais e de grande valia para a cidade de Salvador”, finalizou o gestor do Teatro Jorge Amado.

*Sob supervisão da repórter Isadora Sodré