Séries

É preciso muito esforço para ver a cansativa ‘The Witcher’

Série da Netflix traz Henry Cavill tentando atuar bem

Heyder Mustafá* ((heyder.mustafa@redebahia.com.br))
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Uma das séries mais esperadas da Netflix, ‘The Witcher’ estreou na plataforma de streaming dividindo opiniões do público e da crítica. Baseada em uma obra literária, que já havia sido adaptada para o mundo dos games, a saga ganhou sua versão para as telas com alguns bons acertos e erros que convidam o espectador a dar stop e preferir enfrentar ‘A Lagoa Azul’, na Sessão da Tarde, pela nonagésima vez. Com algumas atuações que salvam a produção e uma bela fotografia, a novidade peca pelo lento roteiro e principalmente pelo fiasco que é o protagonista.


Como se trata de uma adaptação, a trama já era conhecida por um público específico. Muitos gamers, por exemplo, amaram a primeira temporada e já estão ansiosos pela continuação. Talvez essa seja a senha para se deixar seduzir. Sem conhecimento prévio da história, ‘The Witcher’ é cansativa, chata e demorada. Primeiramente, a série carece de atrativos no roteiro que deixem a trama mais elaborada, com problemáticas interessantes e convidativa. Nela, a magia é o começo, o meio e o fim. Apenas.

Para piorar, o protagonista, o bruxo Geralt de Rivia, é interpretado por um dos mais inexpressivos atores da atualidade. Dono de uma beleza ímpar, Henry Cavill mostra mais uma vez que talento não tem a ver com rosto simétrico ou corpo escultural. Sua performance melhorou desde ‘Superman’, mas ainda é preciso comer muito feijão e passar alguns anos ensaiando para lutar por um lugar no Olimpo das artes cênicas. Em algumas horas, a atuação dele é tão sofrível que chega a ser engraçada.

Na outra ponta, destaque para o excelente trabalho de Anya Chalotra, que interpreta a bruxa Yennefer e tenta salvar a produção de uma vergonha ainda maior. Nesta primeira temporada, ela divide o foco com Geralt, que tem como parceiro de jornada o jovem Jaskier, vivido por Joey Batey, responsável pelas boas tiradas de humor da trama. Não poderia passar em branco a belíssima direção de arte da série, um genial trabalho que garante a sobrevida da trama.

Ao contrário do que chegaram a dizer, ‘The Witcher’ jamais pode ser comparada a produções como ‘Game of Thrones’ ou ‘Vikings’. É até pecado estabelecer qualquer espécie de semelhança. Mas se você curte histórias de monstros, bruxos, magia e afins - mesmo as não tão bem contadas - essa é uma opção bem ok para passar o tempo.

Heyder Mustafá é jornalista e produtor cultural formado pela UFBA, editor de conteúdo da GFM e Bahia FM, apresentador do Fala Bahia e apaixonado por cinema, literatura e viagens.