Música

Encontros Tropicais: emoção toma conta de artistas em coletiva pré-show

Artistas falaram sobre importância do evento

Nathália Amorim* (nathalia.amorim@ibahia.com )
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Até Larissa Luz brincou: "choro domina coletiva de imprensa". A emoção foi grande no encontro dos artistas que farão o "Encontros Tropicais: Frequências do Gueto", que marca a retomada da Concha Acústica nesta sexta-feira (26). Com Rafa Dias, Carlinhos Brown, Criolo, Larissa Luz, Jéssica Ellen, e nomes da nova geração de artistas como WD, Stephanie e Lukinhas, a importância de celebrar a música originária da periferia e a cultura preta foram os assuntos principais da conversa. 

"São momentos importantes politicamente, musicalmente, da nossa história. Da história do povo negro brasileiro. Então, esse show traz além de uma releitura contemporâneo de clássicos, acho que é um show que traz discurso, corpo, vivência e traz a periferia para o centro. A história do gueto para o centro de tudo.", disse Larissa ao ser perguntada sobre o show de hoje à noite e a retomada aos palcos. 

Foto: Nathália Amorim | iBahia 

O produtor do evento e membro da banda  ÀTTØØXXÁ, Rafa Dias, explicou o processo de criação do show e como estão divididos os atos. Ao todo serão três: Samba, Black Music e 1990. 

"No início era vamos fazer "Greatests Hits". Depois chegamos na importância desse ano, os cem anos de Dona Ivone Lara e tal. Aí pensamos em trazer uma homenagem às mulheres do samba, de um jeito que comunique essa nova linguagem que está vindo nos tempos de hoje", explicou. 

O ponto de partida do "Frequências do Gueto" será o samba. Os anfitriões Carlinhos Brown, Larissa Luz e Rafa Dias entoarão clássicos de Dona Ivone Lara e Leci Brandão, acompanhados da batucada que balança o gueto desde o início do século. 

Já no segundo ato, o espaço é para a Black Music dos anos 1970 e 1980, com o soul, a disco e a tecnologia eletrônica que invadiu as pistas de dança no Brasil. WD e Jéssica Ellen se unem aos anfitriões para revisitar os sucesso de Cassiano, Tim Maia e Jorge Ben Jor. Por fim, o último bloco chega aos anos 1990, quando a herança rítmica da música se une a pista para criar novas sonoridades. 

Para a nova geração de artistas, participar desse encontro, além de uma oportunidade profissional, é uma forma de ser espelho para jovens. 

"Acho que durante anos esconderam a nossa história e ainda assim estamos unidos aqui. Sou uma mulher preta, mãe que canta rap, com dois filhos. Eu passei por muita coisa para chegar até aqui e eu consegui. [...] Hoje vai rolar um espetáculo lindíssimo de talentos de artistas incríveis que vieram do gueto. E que que a gente seja esse espelho para que muitas pessoas que querem ser artistas não desista. Para gente contar a história que precisa ser contada", disse emocionada Stefanie. 

*Sob supervisão do repórter Lucas Salles.