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Fábio Assunção sobre ser pai de dependente químico em série: 'Trabalho que mais me tocou'

O ator falou também sobre as brincadeiras que foi alvo durante o processo, como músicas e até memes nas redes sociais

Agência O Globo
Fábio Assunção surgiu de visual novo nas redes sociais para mostrar que agora tem um perfil no Twitter ("Nova rede social, novo corte de cabelo", escreveu). Além disso, o ator foi convidado para participar de um vídeo ao vivo, em que deu uma entrevista para falar sobre carreira e acabou falando abertamente sobre o seu vício com as drogas.
Foto: Reprodução | Twitter
"Falar sobre o vício tem a ver com minha maturidade sobre o assunto. A questão da droga é que tem tanta coisa envolvida nela, né? É ilegal, tem aspectos religiosos, políticos... É um assunto complexo porque envolve muitos interesses. Envolve segurança pública, saúde pública, não há um consenso de como deve ser abordado". 

"As pessoas que passam por isso tendem a se isolarem, esconderem, porque o julgamento é muito grande. Agora eu me sinto livre. Mas eu já tive medo durante muito tempo. Mas como já fui julgado, condenado, absolvido (risos), falo à vontade, e sem pretensão de ser uma voz sobre isso. O vício, você não tem nenhum distinção, é coisa do ser humano. Não tem distinção de classe, racial... São coisas que a gente bota pra fora de alguma forma. Não tem nada a ver com caráter", disse Fábio
O ator falou também sobre as brincadeiras que foi alvo durante o processo, como músicas e até memes nas redes sociais.
"Nunca uma pessoa falou pra mim: 'Você é um drogado'. Pelo contrário, sempre foi 'não é possível, eu preciso mandar para os meus amigos que eu te vi'. Sinto que tem uma brincadeira comigo que, de certa forma, é um carinho. Acho que humanizei, virei gente nesse processo todo."
O ator também falou sobre sua escalação para "Onde está meu coração", série da Globo, ainda sem previsão para ir ao ar, em que Fábio Assunção vive o pai de uma dependente química. Na trama, a garota é vivida por Letícia Collin, uma médica de 30 anos que usa crack escondido das pessoas.
"Achei incrível essa série porque vai colocar esse debate (das drogas) entre as famílias brasileiras. Você vê uma família que quer dar certo, mas é atravessada por milhões desses problemas. Foi muito emocionante ter feito a série, foi o trabalho que mais me tocou. Vai ficar uma obra linda, em todos os aspectos", disse Fábio, que ficou cinco meses imerso no processo.