Cinema

Filho de Mussum lembra briga do pai com os trapalhões: 'Todo mundo achou que acabaria ali'

Episódio aparece no documentário "Mussum - Um filme do Cacildis", que está em cartaz nos cinemas

Agência, O Globo
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Forever quer dizer "para sempre" em inglês, mas o que significa um artista ser "forever"? Assim traz um trecho da narração de Lázaro Ramos no documentário "Mussum - Um filme do Cacildis", em cartaz nos cinemas. Dirigido por Susanna Lira, o filme trata da vida e carreira de Antônio Carlos Bernardes, o Mussum de Os Trapalhões, que morreu em 1994 em decorrência de um transplante do coração, aos 53 anos. Do garoto pobre do Rio a um dos primeiros negros a fazer sucesso na TV brasileira, Mussum deixou histórias carregadas de glória e, claro, doses cavalares de humor. Algumas delas são contadas pelo filho Sandro Gomes, que aceitou o convite para comentar o longa.



Que lembranças contadas no filme mais mexeram com você?

Tudo referente à família, o que ele passou e correu atrás para conquistar. As pessoas que o conheciam só viam o trapalhão, mas com esta trama elas têm a chance de saber de onde ele veio realmente, o quanto teve de trabalhar e ralar. Fiquei bem surpreso porque imaginei uma outra coisa, é um roteiro super fiel. E tocante também, mesclando momentos alegres e tristes. Muita gente saiu chorando do cinema, emocionada.

Quem foi este Mussum que pouca gente conhecia?

Um cara que, em casa, sempre arrumava um apelido para cada um (Mussum teve cinco filhos) e acordava todo mundo domingo ao som de Emílio Santiago, que ele amava, batendo panela. Ele curtia cozinhar e fazer feijão e churrasco; neste momento dele no fogão, todo mundo tinha que assistir.


O que mais ele costumava aprontar na cozinha?

Ele gostava de um restaurante em Paquetá onde expulsava as cozinheiras e fritava os peixes. Elas ficavam numa roda conversando com ele e todo mundo tomava cerveja e comia o peixe frito, até a turma que vinha de barco. Era um descanso para as cozinheiras. Ele dizia que era a forma de beber de graça.


Qual melhor trecho do filme?

O dos "Saltimbancos Trapalhões", quando toca aquela música ("História de uma gata"). Este é um dos melhores filmes deles. Também teve o momento em que, na vida real, eles brigaram. Todo mundo achou que tudo acabaria ali.



Vocês costumavam viajar juntos?

Uma coisa que ninguém sabe era que ele era um grande frequentador de Angra dos Reis. Tirando férias, passava Ano Novo, janeiro inteiro, voltava para desfilar na Mangueira e seguia para Angra.

E como você aparece no filme?

Bem pequeno, com 5 anos, ao lado dele fazendo churrasco, recebendo o pessoal da TV Globo. Naquele dia, ele ficou implicando comigo porque eu não parava de olhar para a câmera. Morávamos num condomínio na Freguesia, onde os outros trapalhões, com exceção do Renato (Aragão), moravam também. Este convívio era frequente na frente e por trás das câmeras.


De que forma a produção abordou você e seus irmãos para rodar o documentário?

De um jeito muito legal, em forma de bate papo, a gente tinha que contar a experiência de ter o Antônio Carlos em casa. Simplesmente isso.

Sandro Gomes / Foto: Divulgação

Mussum é pop: estampa camisas de grife, memes na internet e, não por acaso, rótulo de cerveja (Sandro fundou a cervejaria Brassaria Ampolis em 2013, em homenagem ao pai). Por que ainda está vivo 25 anos depois?

Por causa da sua naturalidade em vida. Toda vez que alguém fala Mussum, quem ouve abre um sorriso. Ele tinha verdade junto com simplicidade na hora de se expressar.