Cinema

Filme com cena de 12 minutos de sexo oral choca Cannes

Longa é do mesmo diretor de "Azul é a cor mais quente"

Agência, O Globo

O clima voltou a esquentar no 72º Festival de Cannes nesta sexta-feira, na coletiva de imprensa do filme "Mektoub, my love – Intermezzo”, de Abdellatif Kechiche. O diretor tunisiano, ganhador da Palma de Ouro de 2013 com o controverso "Azul é a cor mais quente" , se indispôs com jornalistas que avançaram sobre temas polêmicos levantados por seu longa-metragem, que acompanha um grupo de jovens aproveitando as férias de verão numa cidade litorânea, em 1994.

À época de "Azul é a cor mais quente", Kechiche foi acusado de abuso pela atriz Léa Seydoux, uma das protagonistas da história. Questionado por uma jornalista sobre o processo, ele se negou a comentar o caso:

— Cannes é um festival de cinema e, portanto, vamos falar de cinema. Não tenho conhecimento de nenhuma investigação contra mim.

O novo filme do diretor é a segunda parte de uma trilogia sobre juventude (a primeira se chama "Mektoub, my love: canto uno") e inclui uma sequência de sexo oral explícito de 12 minutos. No restante de suas três horas e 28 minutos de duração, a câmera acompanha a interação do pequeno grupo à beira da praia, ou em noitadas regadas a muita música e álcool, com especial ênfase no corpo das personagens femininas.

Protagonista da cena mais polêmica do filme, Ophélie Bau participou da cerimônia do tapete vermelho, na noite anterior, mas não apareceu para promover o filme. Uma jornalista questionou a ausência da atriz.

— Acho sua pergunta muito tola, e deslocada dentro de um festival de cinema — reagiu Kachiche.

Foto: Reprodução

O filme, que ganhou sessão de gala na competição pela Palma de Ouro na noite desta quinta-feira, já foi chamado de "misógino", "nojento" e "voyeurista". Não foram poucos os que abandonaram as sessões para a imprensa. Kechiche chegou tenso para o encontro com os jornalistas, acompanhado de parte da equipe do longa-metragem, reclamando de fotos com seus celulares.

— Não quero responder a perguntas sobre como ou por que fiz esse filme. Tenho passado por momentos pouco saudáveis relacionadas ao modo como meu trabalho é feito. Pedi aos meus atores que não se pronunciassem mais sobre esse assunto — disse Kechiche. — Minha intenção com “Mektoub, my love” é celebrar o amor, o desejo e o corpo, do ponto de vista da experiência cinematográfica.

Vale lembrar que, dois dias antes, Quentin Tarantino também expressou irritação com algumas perguntas sobre "Era uma vez em Hollywood".