Cinema

Filme mostra os bastidores da turnê de 2012 da banda Los Hermanos

Filme será exibido somente nesta quinta-feira (14), sábado (16) e domingo(17), em apenas uma sessão por dia, no Cinemark

Roberto Midlej (roberto.midlej@redebahia.com.br)
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A atriz e agora diretora Maria Ribeiro, carioca de 39 anos, ainda era estudante de Comunicação na PUC Rio de Janeiro quando começou a frequentar os shows do Los Hermanos na faculdade, em fins dos anos 1990.


Agora, Maria Ribeiro tem o privilégio que muitos fãs da banda adorariam: assina a direção do documentário Los Hermanos - Esse É Só o Começo do Fim da Nossa Vida. O filme será exibido apenas hoje, sábado e domingo, exclusivamente no Cinemark do Salvador Shopping. A exibição, simultânea em todo o Brasil, acontece sempre às 21h. E, segundo a distribuidora, não haverá outra chance de assistir ao longa no cinema.

Foto: Divulgação


O filme não tem a pretensão de investigar as origens da banda nem é baseado em entrevistas com os integrantes, que pouco falam para a câmera. A ideia principal é registrar os bastidores e a reação do público durante a turnê nacional que marcou o retorno dos músicos aos palcos, em 2012, cinco anos depois de anunciarem  uma pausa por tempo indeterminado.


Maria Ribeiro, que é também atriz e uma das apresentadoras do programa Saia Justa, no GNT, diz que várias vezes antes do hiato que a banda realizou tentou convencer os integrantes a deixá-la fazer o documentário. Mas,  muito reservados e avessos ao showbiz, Marcelo Camelo (vocais/guitarra/baixo), Rodrigo Amarante (vocais/guitarra/baixo), Rodrigo Barba (bateria) e Bruno Medina (teclado) sempre negaram.


“Quando eles anunciaram que fariam aquela turnê em 2012, eu, mesmo sem acreditar, pedi, de novo, por email, para acompanhá-los e fazer o documentário”, conta. Para a surpresa de Maria Ribeiro, a resposta daquela vez foi positiva.


A banda pediu então que Maria Ribeiro escolhesse sete das 12 cidades por onde Camelo e sua turma passariam. Entre as escolhidas, estava Salvador, onde o Los Hermanos se apresentou nos dias 6 e 7 de maio, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves. Na capital baiana, como em outras cidades, sobram demonstrações da histeria dos fãs.


Uma menina, desesperada, aguarda após o show para ver os ídolos, separada deles por uma grade. Grita e chora, dizendo que gosta “muito, muito, muito” dos músicos. Ganha então a atenção de Marcelo Camelo, que acaricia a mão da garota, consolando-a.


Para Maria Ribeiro, essa idolatria à banda vai perdurar: “As músicas deles servem um pouco como mensagens de autoajuda num momento em que seus ouvintes precisam muito disso. Enquanto não aparecer outra assim, eles vão ficar. Teve também a Legião, que ainda exerce uma influência muito forte sobre o público mais jovem”.


Um dos fãs emblemáticos que aparece no filme é Leonardo Filippo, que tinha 31 anos na época das filmagens. O comerciante assistiu aos 24 shows da turnê, bancando do próprio bolso passagens e hospedagem. Da produção da banda, ganhou os ingressos para as apresentações. “Desde 2000, fui a 50 shows deles. É uma maratona de amor”, diz o rapaz no filme.


Descontração


Nos bastidores, Maria Ribeiro e sua minúscula equipe (formada por somente quatro pessoas, conforme pedido dos músicos) registram momentos descontraídos dos Hermanos, que aparecem provocando uns aos outros e lembrando histórias antigas. “Eu não queria fazer um documentário sobre a história da banda, porque ia ficar parecendo um Globo Repórter. Não há como abarcar a história inteira de uma banda”, justifica a diretora.

Foto: Divulgação


Ela nega a fama de arredios que os músicos ganharam em relação à mídia e diz que ultimamente eles estão até “abrindo a guarda”. No filme, os rapazes aparecem realmente à vontade, mesmo sabendo que estão sendo filmados. Falam até de assuntos bem banais, como o chulé de  Camelo, que tanto incomodou Amarante numa viagem ao Japão.


A documentarista não queria fazer um filme sobre a história da banda, mas os motivos da separação temporária são abordados em um depoimento de Rodrigo Barba: “Nesses dez anos antes de pararmos, houve alguns desgastes porque tivemos que tomar muitas decisões e houve divergências. Mas não pensamos ‘ah, vamos parar, senão vou quebrar sua cara numa lajota’. Paramos mais porque tínhamos medo de cair na mesmice e de deixarmos de nos divertir”, registra.


O lado ‘família’ dos integrantes também é explorado. Camelo e Amarante aparecem agradecendo aos pais e é Marcelo quem conta como ganhou a primeira guitarra de presente do pai, uma Gibson que ele guarda até hoje. Bruno Medina aparece com a filha e a mulher no camarim. Para Maria Ribeiro, essa é uma maneira de falar sobre a passagem do tempo e até fazer uma menção  à história dos integrantes.


Sobre a parada temporária e as turnês que a banda realiza, Maria Ribeiro diz que nada disso é uma jogada de marketing: “A banda não se submete à engrenagem da mídia e vai na contramão do excesso, que é comum hoje. Mas é uma postura deles mesmo”. Assista ao trailer do filme:


Correio24horas