Cinema

Gaby Amarantos emagrece para o cinema após ganhar 16kg para papel e critica a gordofobia

Os novos 40 anos dão à cantora e apresentadora do “Saia justa”, do GNT, a segurança de que ela diz ter sentido falta nas primeiras décadas de vida

Agência O Globo

Gaby Amarantos não tem papas na língua nem pudores com o corpo. Os novos 40 anos dão à cantora e apresentadora do “Saia justa”, do GNT, a segurança de que ela diz ter sentido falta nas primeiras décadas de vida. Em agosto deste ano, ao comemorar a idade da loba, a paraense posou nua e jogou a foto sem retoques nas redes. O poder de assumir o físico ao natural, expondo estrias, celulites e cicatrizes, é resultado do posicionamento que defende em suas músicas, na TV e nas redes sociais. Ela detalha:

Foto: Divulgação

— É genuíno mostrar que o corpo da mulher é político e poderoso. Eu, como dona de mim e como figura que se apropria e exibe essa beleza, recebo depoimentos de muitas mulheres que se identificam. Isso me dá coragem de continuar. Nas fotos, minhas marquinhas estão todas lá. Chega desta história de a gente ficar se escondendo, editando tudo. Vamos ser mais reais! Boto a bunda na cara da sociedade mesmo! Aceita, Brasil!


No fim do ano, o país vai ter uma chance de ver a cantora como nunca antes. Até dezembro, entra em cartaz nos cinemas o filme “Serial Kelly”, em que Gaby vive a protagonista, papel para o qual ganhou 16 quilos.

— Agora, estou num processo de emagrecimento e caracterização para o filme da Suzana Pires, “De perto ela não é normal”. Só não sei quanto exatamente já perdi porque não estou monitorando isso. Não tenho relacionamento com a balança (risos). Queria dar uma secada no shape para aparecer diferente — frisa.

No passado, Gaby sofreu para aceitar suas formas. Ela lembra que era comum ouvir ofensas e comparações de mau gosto sobre sua aparência:

— Ganhei muito peso na adolescência. Com 13 anos, eu já tinha as formas de uma mulher de 20. Tinha o bumbum grande demais e não gostava. Me chamavam de bunda de saúva, de Charlene da “Família Dinossauro”, de bunduda. Também sofria racismo pela cor da minha pele, pelo meu cabelo. Ao olhar para trás, sinto que isso me fortaleceu para falar com propriedade sobre aceitação. A mulher gorda é uma oprimida social, e seus transtornos não são levados a sério. A pessoa gorda é quase tão oprimida quanto a que sofre crimes como LGBTfobia, racismo ou misoginia. É um massacre. A chave para quebrar a ditadura da magreza é a mulherada se aceitar, quebrar a porra deste padrão. Amar o nosso corpo é a grande revolução.