Cinema

Heroínas à frente do seu tempo: 'Rainhas do crime' traz ação e drama nas doses certas

Baseado na HQ "The Kitchen", da DC, filme é protagonizado por trio de peso que deseja comandar a máfia local

Lucas Mascarenhas* (lucas.mascarenhas@redebahia.com.br)
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Quem diria que um filme sem tanto burburinho comercial e massacrado pela mídia internacional seria tão interessante? Apesar das críticas, um dos destaques da semana nos cinemas, "Rainhas do Crime", traz muito mais "pano pra manga" que alguns blockbusters espalhados pelas telonas.

Com um time de peso que conta com Melissa McCarthy (As Bem-Armadas, Mike & Molly), Tiffany Haddish (Pets 2, The Last O.G) e Elisabeth Moss (Us, The Handmaid's Tale), o longa conta a histórias de três donas de casa que acabam no meio de uma situação totalmente inesperada: seus maridos, mafiosos irlandeses, acabam presos e elas acabam a mercê de um chefão que se recusa ajudá-las financeiramente. No final das contas, elas percebem que conhecem muito mais o bairro de Hell's Kitchen que os próprios mafiosos e acabam juntando esforços para comandar os negócios da região.

Foto: Reprodução

A trama ambientada nos anos 70 logo de cara traz um show na arte, as roupas opacas e típicas da época se juntam à carros datados e bares com luzes neon que agitam as noites do pacato local. A trilha musical reforça as ideias de feminismo e luta pela igualdade, uma vez que "This Is a Man's Man's Man's World" dá o tom dramático que se une perfeitamente com a história do trio.

Apesar de não abusar dos momentos de ação, "Rainhas do Crime" traz a evolução das personagens dentro desse mundo de "olho por olho, dente por dente". Todas as três protagonistas passam por momentos de aceitação, descobrimento e aprendizado, em diferentes aspectos da vida, o que enche os olhos do público e também atiça a curiosidade pela história, que por sinal, tem algumas reviravoltas bem interessantes.

No veredito final, o longa pode não ser uma grandiosidade e até falha em alguns momentos da narrativa e nas escolhas da montagem, porém, é uma ótima pedida para quem procura ação e drama nas doses certas, além de um aspecto contemporâneo sobre mafiosos do passado. Vale a ida ao cinema e vale também as reflexões pós-filme que obrigatoriamente devem ser trazidas para a realidade.

* Sob supervisão e orientação da repórter Isadora Sodré