Cinema

'Homecoming’ mostra por que Beyoncé é a maior show-woman da atualidade

Filme-documentário é o primeiro da parceria entre a cantora e a Netflix

Heyder Mustafá* (heyder.mustafa@redebahia.com.br)
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Não precisa ser fã de Beyoncé para querer assistir e se empolgar com ‘Homecoming’ desde os primeiros minutos. Basta gostar de música e apreciar uma produção pensada nos mínimos detalhes e muitíssimo bem executada para ver que a passagem da musa americana pelo Coachella 2018 já está marcada na história recente da música mundial. Com uma técnica apurada de quem sabe o que faz e uma mensagem social importantíssima, Beyoncé mostra por que é a maior artista em atividade no momento.

Somente os bastidores dos dois shows no festival californiano do ano passado já renderiam um bom produto. Foram quase nove meses de ensaios exaustivos com coreografias complexas e rápidas, marca das apresentações da cantora, além de todo o trabalho que envolve montar setlist, definir convidados, pensar no cenário, no figurino e motivar centenas de pessoas para que sigam perfeitamente o script. Cansa só de ver, mas o resultado é prazeroso e deixa qualquer um boquiaberto.

Mas o grande trunfo de Beyoncé foi aproveitar a chance de ser a primeira negra a se apresentar como principal atração do Coachella para falar de afirmação. Ela soube dividir os holofotes com uma causa maior: a representatividade negra. Mesmo na maior democracia do mundo, e em pleno século XXI, a discriminação racial é uma triste realidade, e Bey enxergou nesta oportunidade a chance de mostrar ao mundo um pouco do talento e do orgulho afro-americanos.

Além de ser artisticamente perfeito, ‘Homecoming’ inspira e traz uma reflexão importante em meio à avalanche de ódio espalhado mundo afora. Beyoncé não só rebatizou o festival – que muitos passaram a chamar de Beychella – mas inflou a autoestima e deu gás à luta de negros e negras nos quatro cantos do mundo, que ainda reivindicam por respeito e oportunidades.

*Heyder Mustafá é jornalista e produtor cultural formado pela UFBA, editor de conteúdo da GFM e Bahia FM, apresentador do Fala Bahia e apaixonado por cinema, literatura e viagens.