Cinema

iBahia conversa com Leandro Hassum e Sidney Magal

Atores vieram a Salvador para a pré-estreia do filme ‘Chorar de Rir’, do qual fazem parte do elenco

Brenda Sales* (brenda.sales@redebahia.com.br)
- Atualizada em

Preparado para uma sessão de bom humor? Não é à toa que os atores Leandro Hassum e Sidney Magal prometer fazer jus ao nome do filme “Chorar de Rir” que estreia nesta quinta-feira (21). Os artistas bateram um papo com o iBahia durante a pré-estreia do longa em Salvador e contaram um pouco sobre o ofício de ator e a elaboração e realização do projeto.

Foto: Genilson Coutinho
Distribuído pela Warner Bros, o filme traz a história de Nilo Perequê (Leandro Hassum), um astro premiado da comédia brasileira e apresentador de um programa de sucesso, mas que se mostra infeliz ao perceber que o público valoriza apenas os atores e diretores de drama.

Sem medo, Nilo resolve se reinventar e se dedicar ao drama teatral. O protagonista vê em “Hamlet”, a peça ideal para mostrar a plateia, sua faceta séria e dramática, capaz de fazê-los chorar. Leandro Hassum e Sidney Magal nos contam sobre a experiência de atuar em “Chorar de Rir”.

iBahia: Você, assim como Nilo, acredita que o público te vê apenas como comediante e estranham quando você atua em outros gêneros cinematográficos?
Leandro Hassum: Todo artista é colocado dentro de uma gaveta ou numa prateleira da estante, seja na comédia, seja no drama, seja na música. A gente sempre é colocado, mas o importante é se a gente se vê nessa prateleira. Quando a gente traz para a realidade do Chorar de Rir, Nilo é essa pessoa que se revolta com essa velha história de que a comédia é menor que o drama. Acho que há uma ingenuidade no personagem por acreditar que precisa terminar uma história para começar outra, quando nós somos múltiplos. Não adianta lutar contra o óbvio, eu sou um comediante e quando as pessoas me olham, elas esperam sempre a gargalhada e a surpresa é quando além da gargalhada, eu posso tirar também a lágrima. Assim como o Magal. O Magal é conhecido como um grande cantor e é um grande ator também, mas ele não precisaria nunca parar a música para atuar ou deixar de atuar porque ele é um cantor.

iBahia: As pessoas têm dificuldade de te ver falando seriamente, assim como acontece com o protagonista?

Leandro Hassum: No primeiro momento, é normal, as pessoas esperam sempre a risada. Depois que vou seguindo uma conversa, elas vão entendendo que não é bem assim. Eu sou o Leandro Hassum mas eu também sou o Leandro Moreira. Nós temos momentos bons e momentos ruins, tenho meus momentos de falar sério, hora de rir e hora de chorar.

iBahia: Como foi interpretar um comediante que se revolta com a comédia?


Leandro Hassum: Nilo é o melhor comediante do Brasil e que se revolta como as pessoas tratam a comédia. Ele quer esse outro lugar e acha que para isso precisa abandonar. Esse foi o desafio, mas eu não me sinto dessa forma, eu faço o que me diverte. Se amanhã aparecer um filme em que eu sou um serial killer e eu for me divertir fazendo, farei com o maior prazer.

iBahia: Como foi a preparação para esse filme, visto que você precisou cantar, dançar, além de transitar entre a comédia e o drama?

Leandro Hassum: Foram 25 dias antes de começar as filmagens, por causa do canto, da coreografia... Houve até uma cena que não entrou mas eu fiz aula de esgrima. Foram 25 dias entre leituras e ensaios, também. Foram dois meses no total, mas foi uma preparação muito gostosa. Principalmente essa parte de reviver um personagem como o Hamlet, mas de uma forma jocosa, em uma idade que ele já não tinha, porque o Hamlet mesmo era muito mais novo do que eu. Mas o desafio maior sempre foi encontrar onde está a piada, onde está o riso.

iBahia: E como foi contracenar com diferentes gerações de humoristas? Como foi essa experiência nos bastidores?

Leandro Hassum: Foi a melhor de todas. Você trocar experiência com comediantes de antes de você e trabalhar com Rafael Portugal, que é dessa geração de internet e mídias sociais, é aprender com cada um deles. É o que eu digo, tenho vários ídolos como Jerry Lewis, Renato Aragão, Chico, Jô, mas hoje minhas referências são esses novos talentos como Tatá Werneck, Paulo Gustavo, Fábio Porchat, Rafael Portugal, alguns inclusive foram alunos meus e hoje estou os vendo e aprendendo.

iBahia: Como foi a experiência de fazer uma participação especial no “Chorar de Rir”?

Sidney Magal: olha, foi muito agradável. Quando recebi o convite do diretor foi uma alegria. Eu já conheço o Hassum de longas datas, já fizemos dublagem de desenho inclusive juntos, mas para mim era uma novidade, apesar de eu já ter participado de alguns filmes e feito algumas coisas cômicas. Mas eu não ouso chegar ao talento do Hassum, mas achei o personagem muito divertido, muito legal, alguém que pode acrescentar. Ele mesmo (Hassum) diz que o personagem passa rápido no filme, mas que deixa sua marca e eu fiquei muito contente com o resultado.  

iBahia: Qual filme já te fez chorar de rir?


Sidney Magal: Na minha adolescência eu ri de muitos filmes maravilhosos como “Deu a louca no mundo” é um filme que eu nunca esqueci. Assim como os filmes do Jerry Lewis quase todos, como “Professor Aloprado” e “O médico e o monstro”.

iBahia: E como você acha que o público brasileiro encara a comédia?

Sidney Magal:
Acho que é o que mais faz bem as pessoas. Nós estamos sendo levados através dos noticiários, através dos programas, das novelas a chorarmos muito mais que sorrirmos. E eu sou muito a favor que as pessoas cada vez mais se identifiquem com as coisas descontraídas e alegres. Por isso mesmo, sempre que me chama para algo bem alegre, faço questão de participar e deixar minha contribuição.

*Colaboradora do portal iBahia