Teatro

Isolamento, humor, carreira e dicas de séries: Leandro Hassum fala de tudo ao iBahia

Ator irá apresentar stand-up comedy no Big Drive In nesta sexta-feira (18), às 21h30

Isadora Sodré (isadora.sodre@redebahia.com.br)
- Atualizada em

Quando o velho ditado 'rir é o melhor remédio' atravessa os anos e continua na boca do povo durante , pode-se concluir que é uma verdade. Em entrevista ao iBahia, o ator Leandro Hassum ressaltou a importância do humor na sua carreira, na vida de outras pessoas e, principalmente, durante o período de isolamento social devido à pandemia do novo coronavírus. A alegria pode ser realmente um alívio.

Na conversa, Hassum também falou sobre como tem enfrentado este período de isolamento social, a sua carreira carreira, o que as pessoas podem esperar do espetáculo, o amor pelos baianos e deu até dicas de séries.

O humorista vai trazer riso e alegria para os baianos na noite desta sexta-feira, às 21h30, no Big Drive-In, localizado no Centro de Convenções e promete que todos irão se identificar com as situações hilárias contadas por ele pois, segundo o ator, 'todos temos histórias parecidas'. Os ingressos estão à venda no Sympla.


iBahia: Por que você escolheu o caminho do humor?
Leandro Hassum: Bom, na verdade o humor é que te escolhe. Eu acho que quando eu abracei a carreira de querer ser ator, essa tendência já que eu tinha. Meus professores diziam que eu tinha uma respiração cômica. Até pra eu ler uma frase, eu já leio em tom cômico. Muitas vezes as pessoas olham pra um comediante e falam: "Nossa! Eu olho pra sua cara e tenho vontade de rir!"

Logicamente que isso você aprimora com técnica, mas eu acho que o humor é que te escolhe, ele vem até você.

O que você sente quando faz as pessoas rirem?
Eu me sinto agraciado, pra mim isso é um dom divino. Fazer alguém rir, mudar o estado de espírito de alguém, sem dúvida é um dom divino.

Você poderia indicar algum série ou filme que tenha assistido neste período de isolamento?

Bom, série nessa pandemia eu vi muitas! Por incrível que pareça, eu vi poucas séries de comédia. Eu vejo mais série de suspense e drama. Eu tenho uma pra indicar de comédia que chama: 'schitt's creek' que é da Netflix, muito boa! É uma série de comédia, é uma história de uma família que perde tudo.
Tem também 'Louva Deus' que é uma série policial de uma psicopata serial killer.
'Recursos Desumanos' tem uma pegada muito bacana, uma inteligência por trás e uma roteiro muito bem estruturado.

O isolamento social conseguiu mostrar para todos nós que sempre é possível se reinventar e o drive-in é um dos exemplos disso. Como é fazer o show neste modelo?
Logo que começou a quarentena percebi que levar arte, cultura e humor tradicionalmente em ambientes fechados, como o teatro convencional e o cinema, levaria um tempo. Como eu acredito que a arte colabora e muito para o bem estar mental das pessoas e o impacto que isso traz na vida delas, lembrei que já tinha feito um show “tradicional” que se passava num antigo drive-in já desativado em Boston, nos EUA, e pensei: “por que não retomar essa ideia de se apresentar em um drive-in"? Seria uma forma de retornar aos palcos, que pode funcionar para peças teatrais, como os stand-ups.

Conforme o tempo passou, a ideia continuou na minha cabeça e vi que mais pessoas, de outros segmentos, chegaram a mesma conclusão, me deu a vontade de participar desse movimento.

O que você colocou no seu stand-up para atender o público que está passando por este momento tão difícil?
Meu show é todo voltado para histórias de identificação, o que inclui cotidiano, histórias familiares, histórias que aconteceram comigo ou até mesmo pessoas próximas a mim, mas o que é mais importante dizer é que é um show que eu quero que a pessoa, no caso dentro do carro, cutuque a pessoa que está do lado e diga: olha só, igualzinho o que acontece lá em casa". Porque as nossas histórias são bem parecidas.

Nós temos histórias parecidas e isso é o mais legal, dessa identificação no show em perceber  coisas que elas estivessem vivendo, mas de repente não com esse olhar aguçado que a comédia tem de colocar isso em cima do palco. A ideia é
proporcionar, nesta época que vivemos, um sentimento de pertencimento às pessoas. Estamos todos enfrentando nossos desafios particulares e o mundo, talvez um dos maiores desafios coletivos do século, mas acredito que o humor possa ter um impacto positivo na vida de todos nós. O show foi pensado para nos sentirmos próximos, batendo um papo descontraído e se reconhecendo nas situações.

Quais foram os pontos negativos e positivos do isolamento social pra você?
Eu acho que quem for inteligente, vai aprender muito sobre o que essa pandemia está nos ensinando, como solidariedade, respeito à vida, higiene, sobre se preocupar com os mais velhos, coisas que não deviam ser para agora e sim pra sempre, né?

Acho que a gente já mudou alguns hábitos de higiene e de convivência para o resto de nossa vida e eu estou tentando tirar o melhor dessa pandemia que é estudar, ficar perto da família, prestar mais atenção na minha casa, no aconchego que é a minha casa, curtir as minhas coisas e me permitir também, às vezes, não estar feliz. Todos nós temos esse direito.  

Até tem um livro que se chama “Tudo bem não estar bem”. Acho esse título muito bom porque eu acho que tudo bem a gente não estar bem hoje. A gente vai estar bem amanhã.

Você já se apresentou na Bahia diversas vezes. O que você mais gosta no Estado?

O que mais gosto no estado é, sem dúvida, é o baiano. São maravilhosos, receptivos, carinhosos. Sou sempre muito bem tratado. E sempre fiz espetáculos maravilhosos no Teatro Castrto Alves, em outros teados, e agora, nesse novo normal (eu nem gosto muito dessa palavra), mas agora no drive-in. Vai ser uma experiência muito boa ser recebido com carinho.

Já filmei na Bahia, fiz dona Flor e seus dois maridos. É um estado que eu tenho carinho muito grande. Filmei em Juazeiro na Bahia também, um filme chamado 'Meteoro' em 2002. Então, de ponta-a-ponta, eu amo o estado da Bahia.

Serviço  
“Leandro Hassum Show”
Texto e Atuação: Leandro Hassum
18 de setembro (sexta-feira), às 21h30, no Big Drive In Salvador
Duração: 75 min
Classificação indicativa: 14 anos
Valores: R$180 (setores amarelo e branco) e R$200 (setores azul e vermelho). Vendas no Sympla