Cinema

'Juanita' é o filme mais bufa fria da Netflix

Nem mesmo a grande Alfre Woodard consegue salvar a história

Heyder Mustafá* (heyder.mustafa@redebahia.com.br)


A intenção é das melhores. Uma mulher negra, pobre, na casa dos 40 anos, moradora de um subúrbio norte-americano sustenta a casa, os filhos e a neta. Seus ex-companheiros se mandaram e deixaram toda a responsabilidade com ela, que dá duro em um hospital para viver. Dos três filhos, um está preso, o outro já entrou para o mundo do crime e a garota pariu cedo e não pensa em trabalhar. Se fosse bem conduzido, o filme poderia, com muito esforço, ser uma crítica social. Com o roteiro fraco, só restou cansaço e forçação de barra.

Só há duas coisas boas no filme: a atuação de Ashlie Atkinson, interpretando uma caminhoneira que ajuda Juanita a fugir de casa e a rapidez da trama, que dura menos de 90 minutos. Nem mesmo a grande Alfre Woodard, uma das grandes estrelas da TV norte-americana, consegue tirar o filme do marasmo. ‘Juanita’ é baseado em um livro e aborda um tema interessante, cujo debate é sempre necessário. Entretanto, sua adaptação para o cinema deixou muito (muito mesmo) a desejar.



Ainda assim, a história mais parada do que água de poço pode ser vista só para passar o tempo durante uma viagem rápida ou enquanto o sono não chega. Uma pena! Com um pouco mais de capricho, ‘Juanita’ poderia ter sido um dos muitos bons filmes produzidos pela Netflix.

*Heyder Mustafá é jornalista e produtor cultural formado pela UFBA, editor de conteúdo da GFM e Bahia FM, apresentador do Fala Bahia e apaixonado por cinema, literatura e viagens.