Cinema

‘Lost Girls – Os Crimes de Long Island’ tem boa história, mas roteiro morno

Filme baseado em fatos reais está disponível na Netflix

Heyder Mustafá* ((heyder.mustafa@redebahia.com.br))
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Em 2010, dezenas de corpos de prostitutas foram encontrados enterrados na região de Long Island, nos Estados Unidos, após uma mãe inconformada cobrar da polícia local uma investigação mais apurada sobre o desaparecimento de sua filha. O caso que tomou conta do noticiário americano por meses foi o pano de fundo para um livro e agora ganhou sua versão para o cinema. Com direção da documentarista Liz Garbus, indicada duas vezes ao Oscar, ‘Lost Girls – Os Crimes de Long Island’ consegue ser interessante e morno ao mesmo tempo por transitar de forma nada segura entre ficção e documentário, mas ainda assim vale o tempo investido.

O filme prende a atenção rapidamente por contar uma história real e recente. Em meio ao elenco regular, destaque para Amy Ryan, que interpreta a mãe desesperada em buscas de respostas sobre o paradeiro de sua filha. Ela rouba a cena com seus rompantes na delegacia, ao questionar o trabalho dos policiais e ao iniciar, por conta própria, uma investigação paralela. A atriz é brilhante e passa verdade ao viver o desespero que o caso pede.

O roteiro tenta não só focar na tragédia conhecida pelo público ao dar espaço para os pequenos conflitos que existiam na família da protagonista. A tentativa de desvio da narrativa deixa a história mais interessante e faz o público entender o cenário geral em que o desaparecimento da jovem Shannan está inserido. Mesmo com esses artifícios, a história é superficial, não apresenta de forma convincente alguns personagens importantes e se perde na sua própria linha do tempo. 

Independentemente desses tropeços, ‘Lost Girls – Os Crimes de Long Island’ é uma boa crítica social por questionar a forma de atuação da polícia em alguns casos. Todas as meninas envolvidas na história eram garotas de programa e a desova de corpos acontecia há mais de uma década. Por que esses sumiços nunca foram investigados? Por que a polícia arquivou todas as denúncias feitas pelas famílias das vítimas? Esse, sem dúvida, é o grande X da questão trazido por Liz Garbus. A novidade da Netflix nem se compara ao sensacional ‘Três Anúncios Para um Crime’, mas não chega a ser um desperdício de tempo. Pode dar play e aproveitar!   

Heyder Mustafá é jornalista e produtor cultural formado pela UFBA, editor de conteúdo da GFM e Bahia FM, apresentador do Fala Bahia e apaixonado por cinema, literatura e viagens.