Música

Nasceu na Bahia: no dia do Samba, Batifun celebra o ritmo: ‘Ser sambista é uma honra'

Ritmo se tornou tão importante no Brasil que ganhou um dia nacional: 2 de dezembro

Redação iBahia (redacao@portalibahia.com.br)
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Na história da música da Bahia, o samba tem uma importância enorme. Apesar do gênero mais associado ao estado ser o axé music, o samba nasceu na Bahia e faz parte, inclusive, da origem do ritmo mais famoso.  

O samba vem de estruturas musicais de origem africana, e ganhou voz e espaço na Bahia e no Brasil através de símbolos cultura negra. O ritmo se tornou tão importante no Brasil que ganhou um dia nacional: 2 de dezembro. 

“Há uma espécie de dúvida, se ele [o samba] seria carioca ou baiano. Mas o samba inicialmente estava presente no Recôncavo baiano, como forma de protesto contra o trabalho escravo. Com as tias baianas [mães de santo que moravam no Rio de Janeiro], no século XIX, o ritmo chegou ao Rio”, explica Marcelo Timbó, músico do grupo Batifun.  

“O samba da Bahia tem uma história bem bacana, o samba nasceu na Bahia, foi levado para o Rio de Janeiro, que soube criar bem o samba. Cada localidade tem uma forma de fazer o samba, mas tudo é samba”, completa Fernando Rufino, também integrante do Batifun e filho de Nelson Rufino, um dos principais nomes do samba baiano.  

Além de Nelson, nomes como Riachão, Batatinha, Waldir Lima, Edil Pacheco, citados por Marcelo e Fernando, fazem parte da história do samba. Nomes que são inspiração para o grupo, que há quase 24 anos, faz parte da cena do samba baiano.  

Do samba, veio o samba reggae, o axé music e o pagode baiano, ritmos que se destacam no Carnaval. E o próprio samba tem seu espaço na festa popular. Fernando Rufino lembra da Quinta do Samba. Tradicionalmente, na quinta-feira de Carnaval os blocos do samba saem às ruas no circuito Osmar (Campo Grande). E tudo isso é motivo de orgulho. 

“Salvador também é um reduto de samba, com novos talentos surgindo a cada dia, e ser sambista eu posso dizer me honra muito”, define Fernando Rufino.  

O Samba antes do Samba 

O próximo projeto do Batifun, que deverá ser lançado entre janeiro e fevereiro do ano que vem, tem tudo a ver com a história do samba. O grupo gravou uma música de Roberto Mendes e Jorge Portugal chamada “O Samba antes do Samba” - ainda com a participação de Gilberto Gil -, que fala justamente sobre a origem do samba.  

“Fomos participar de um show dele em Santo Amaro, e ele apresentou essa música. Na hora decidimos que queríamos gravar e ele topou”, relembra Junior Luiz, do Batifun.  

Feijão do Casarão 

Neste sábado (4), o Batifun realiza a última edição de 2021 do Feijão do Casarão, no Pelourinho. O evento será uma homenagem ao Dia do Samba. 

“Vamos fazer um repertório especialmente para o samba como todo e para os sambistas da Bahia, como Riachão, Nelson Rufino, Dorival Caymmi, figuras importantíssimas, que contribuíram demais, para o Batifun e para o samba como o todo”, conta Timbó.  

A feijoada acontece no Casarão Dezessete, a partir das 12h30. Os ingressos estão à venda pelo Sympla.