Teatro

Noviças Rebeldes: comédia musical pode não entrar mais em cartaz

Enredo se passando na Irmandade de Salue Marie, onde cinco freiras que saíram para jogar bingo, descobrem ao retornarem, que as 52 freiras que ficaram morreram

Diogo Baleeiro*
- Atualizada em

Assistir às Noviças Rebeldes é motivo de orgulho para os baianos. O retorno desta comédia musical reencenada pela Cia Baiana de Patifaria traz, além de uma ótima opção de entretenimento, a constatação de que a Bahia tem grandes talentos, profissionalismo
na arte e resultados brilhantes. Entretanto, é preciso conservar os nossos profissionais e a nossa cultura.

Foto: Divulgação

O espetáculo tem direção assinada por Wolf Maya e tudo ali é leve, mesmo o enredo se passando na Irmandade de Salue Marie, de onde cinco freiras que saíram para jogar bingo, descobrem ao retornarem, que as 52 freiras que ficaram morreram. Vítimas de botulismo ao tomarem uma sopa feita com legumes enlatados vencidos. O caixa da Irmandade foi desfalcado pela Madre Superiora, sendo possível sepultar apenas 48 irmãs, tornando a necessidade de sepultar as outras quatro religiosas, que aguardam no freezer, em motivo para um show beneficente.

Neste show, desenrola-se uma comédia musical onde as freiras trazem histórias muito engraçadas, revelando suas personalidades em apresentações musicais muito bem executadas com coreografias precisas num cenário rico para os padrões e iluminação marcante. Atores talentosos somam-se a outros elementos que reforçam a real sensação de estarmos diante de uma encenação de alto nível.

Os baianos que se recordam, orgulham-se dos elogios que As Noviças receberam do The New York Times em 1997, quando a Cia Baiana ficou em cartaz por duas semanas no circuito off-Broadway, em Nova York. Hoje no Brasil, passados 20 anos, esta comédia musical vestida sob uma identidade tão baiana, corre o risco de sair de cartaz por falta de apoio, falta de patrocínio, falta de público e, sobretudo, por uma conjuntura que tem arrastado esta situação de crise para outras esferas, onde nem os bons produtos sobrevivem.

*Diogo Baleeiro
Bacharel em Interpretação Teatral - Ufba
Pós Graduado em Jornalismo - Casper Líbero - SP