Cinema

‘O Limite da Traição’ tem história ruim e atuações meeiras

Filme é o primeiro grande fracasso da Netflix em 2020

Heyder Mustafá* ((heyder.mustafa@redebahia.com.br))
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Do primeiro ao último minuto, a novo filme de Tyler Perry é um desastre absoluto. Famoso por produzir vexames cinematográficos, o diretor chega ao catálogo da Netflix com mais uma trama sem nexo, fraca, rasa, que mais se compara a uma peça de fim de ano produzida por alunos do Ensino Fundamental da escolinha do bairro. ‘O Limite da Traição’ tem tudo o que um bom filme não deve ter, e seu pretenso suspense provoca risos por ser incrivelmente patético. Perry conseguiu apenas uma coisa: mostrar que a distância entre um lixo como esse e um filme meeiro pode ser medida em ano-luz. 

O longa é completamente bizarro e à medida que avança só piora. Primeiramente, o roteiro é superficial demais ao conectar duas histórias distintas: a de uma mulher de meia-idade em busca de um novo amor e a de uma defensora pública inexperiente decepcionada com a profissão. O segundo erro é a chuva de clichês mais surrados do que mala velha. A senhora se apaixona por um bonitão com lábia de cafajeste, casa-se com ele, descobre que o rapaz não vale nada, mata o moço e vai presa. Que preguiça! A defensora recebe o caso, se enrola toda para fazer a defesa, tem ajuda de seu marido policial e acaba descobrindo tudo.

Todo esse enredo cansativo fica ainda mais difícil de suportar com as atuações bem abaixo da média. Como se não bastasse, o filme ganha contornos esdrúxulos quando a vida da protagonista começa a ser decidida no tribunal. Os diálogos são risíveis e o teatro jurídico dá pena de tão ruim. A vontade é condenar todo mundo em cena à cadeira elétrica! A incompetência é tão absurda que até mesmo o que seria o clímax da trama é entregue ao espectador nos minutos iniciais de forma escancarada. Só não vê quem não quer!

Em resumo, ‘O Limite da Traição’ é uma boa porcaria! Só existem duas coisas legais nessa produção. Primeiramente, 95% do elenco são de atores negros, o que significa muito em uma indústria ainda conservadora. Em segundo lugar, é possível contemplar a grande Cicely Tyson com seus 95 anos de idade em cena, mesmo que bem rapidamente. Tirando isso, esse esboço de filme não vale o que o gato enterra.

*Heyder Mustafá é jornalista e produtor cultural formado pela UFBA, editor de conteúdo da GFM e Bahia FM, apresentador do Fala Bahia e apaixonado por cinema, literatura e viagens.