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Opinião: o 'Top game' e suas inesgotáveis variações

Formato é um engana-o-trouxa, um caça-níqueis canalha

Patrícia Kogut, da Agência O Globo
- Atualizada em

O “Top game” e o “Super bônus” são variações sobre um único programa de televisão. Esse tipo de atração brota na RedeTV! e na Band com o mesmo objetivo: enganar, extorquir dinheiro e prender o incauto numa linha telefônica cara. Em outras palavras, o formato é um engana-o-trouxa, um caça-níqueis canalha.


Funciona assim: há um quadro eletrônico em que se vê uma mesma figura repetida inúmeras vezes. Uma “apresentadora” oferece uma recompensa para quem achar, entre todas, uma imagem ligeiramente diferente. Não é difícil. Para decifrar o enigma, basta passar no mais básico dos exames de vista. A dificuldade vem depois, quando o espectador liga para lá. São telefonemas interurbanos. O cara espera muito até conseguir ser atendido. Depois que isso acontece, fica pendurado na linha mais um pouco. Enquanto isso, sua conta de telefone vai encarecendo. Eis a picaretagem.

As “apresentadoras” costumavam se comportar de forma histérica, gritando, afligindo o aflito. Porém, ultimamente, anda na moda vê-las em silêncio, olhando teatralmente para as figurinhas. Será que o “Top game” está ambicionando um lugar na teledramaturgia?

Agora, a RedeTV! vendeu espaço em sua grade para uma nova atração do gênero, “O melhor de todos” (um certo medo desse título). A tal variação do “Top game” faz perguntas como: “Em que estado fica a praia de Copacabana” (hã?). Essa franquia não irrita só com suas indagações ruins. Ela enfurece: é estelionato, propaganda enganosa. Alô, alô, Ministério Público.