Cinema

‘Partida Fria’ é legal, mas não empolga

Filme da Netflix tem Bill Pullman no papel principal

Heyder Mustafá* (heyder.mustafa@redebahia.com.br)
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A Guerra Fria, por si só, já é um excelente pano de fundo para qualquer narrativa cinematográfica, ainda mais quando dão o protagonismo a um ator talentoso como Bill Pullman. É dele a responsabilidade de carregar ‘Partida Fria’ nas costas e não deixar que o filme da Netflix se torne entediante. Graças ao contexto histórico e à excelente atuação do veterano, a trama consegue chegar ao final no zero a zero, sem ser um fiasco total, mas também sem empolgar.
Foto: Reprodução
A rivalidade entre Estados Unidos e a antiga União Soviética deixou o mundo de cabelo em pé entre o final da Segunda Guerra Mundial e o começo dos anos 1990, e o filme acerta na abordagem do conflito ao adotar, em certa medida, um tom documental, trazendo imagens do período, noticiários da época e as decisões políticas que fizeram história. Por outro lado, o roteiro peca ao não apresentar uma trama bem costurada, sólida, com os recursos necessários para deixar o espectador vidrado do começo ao fim.

Na trama, Pullman vive um matemático genial, que vive de ganhar trocados em mesas de pôquer pelos bares de Nova York até ser interceptado pelo governo americano para representar o país em uma disputa de xadrez com o melhor jogador russo, em Varsóvia, na Polônia. A partir daí, a história se desenrola de uma forma morna para um filme sobre espionagem, estratégia de guerra, politicagem e afins. Não que ‘Partida Fria’ seja chato, mas o que minimamente se espera de um longa desse tipo é que seja um thriller tenso, nervoso e angustiante. Não é!


Os personagens são bem concebidos, a direção de arte é impecável e a fotografia sem defeitos, mas a história não prende como deveria. A trama funciona mais como um lembrete histórico da rivalidade entre os governos e suas ideologias. Há, sim, picos de tensão, mas o filme deixa a desejar no quesito ‘roteiro de tirar o folêgo’. Ainda assim, ‘Partida Fria’ é uma boa pedida para quem gosta de histórias do gênero, além de ser uma boa chance de ver Bill Pullman em cena, dessa vez emprestando seu talento para viver um professor genial, alcoólatra e encurralado por escolhas de terceiros. 

Heyder Mustafá é jornalista e produtor cultural formado pela UFBA, editor de conteúdo da GFM e Bahia FM, apresentador do Fala Bahia e apaixonado por cinema, literatura e viagens.