Cinema

'Querido Menino' traz nova abordagem sobre dependência química

Timothée Chalamet e Steve Carell protagonizam o drama

Heyder Mustafá* (heyder.mustafa@redebahia.com.br)


À primeira vista, este é mais um filme sobre drogas na adolescência e todos os problemas familiares decorrentes disso, mas pode esquecer qualquer ideia pré-concebida ou tentativa de adivinhar o roteiro e agende logo sua ida ao cinema. A narrativa tinha tudo para ser óbvia e seguir o script clássico de um filme com essa abordagem, entretanto o que se vê na telona é um show de atuações, uma história cheia de altos e baixos e um recorte interessantíssimo do problema apresentado.

Sem dúvida, o que mais chama a atenção em ‘Querido Menino’ é a completa fuga do cenário clássico. Embora os pais de Nic (Timothée Chalamet) sejam separados, ele vive com o pai (Steve Carell), a madrasta e os irmãos mais novos em perfeita harmonia. Sua mãe, mesmo morando em outra cidade, é presente e mantém uma boa relação com o ex. Aqui, pai e filho são amigos, conversam sobre tudo e têm muita afinidade. Excelente aluno, Nic foi aceito por todas as faculdades que pensou cursar. Com tudo conspirando a favor, por que diabos esse menino se enfiou no mundo das drogas, em especial a metanfetamina?

Foto: Reprodução

O drama conta a história real do consagrado jornalista David Sheff e de seu filho Nic Sheff. Sem apelação e de uma forma bastante original, o longa mostra a trajetória sofrida de quem lida com a dependência química e como a situação afeta toda a família. Todos sofrem quando Nic precisa ser internado, vibram no momento em que ele decide ir para a faculdade, voltam a desabar quando ocorre a primeira recaída, comemoram o primeiro ano dele livre das drogas, sofrem quando ele quase morre de overdose e por aí vai.



A história é repleta de reviravoltas e mostra o problema tanto através da visão do viciado quanto pelo prisma da família, cada um sofrendo à sua maneira e todos precisando de ajuda. Quem de alguma forma se identifica com o enredo e aqueles mais emotivos dificilmente passarão incólumes pelas duas horas de filme. O drama emociona sem ser piegas e é lúcido o suficiente para desfazer a visão de que problemas como esse nascem somente em lares turbulentos ou são enfrentados por quem não teve boas oportunidades na vida.

*Heyder Mustafá é jornalista e produtor cultural formado pela UFBA, editor de conteúdo da GFM e Bahia FM, apresentador do Fala Bahia e apaixonado por cinema, literatura e viagens.