Turismo

Seis lugares não óbvios para turistar pela natureza da Bahia

Cachoeiras, trilhas, rios e diversas outras opções

Vanessa Brunt e Catarina Barbosa, do Não Óbvio*


Para quem procura um local para relaxar, ter contato com o meio ambiente e fazer um detox do estresse urbano, a Bahia traz diversas opções de trilhas e outras formas de chegar a cachoeiras e cantos paradisíacos. Fora das regiões clássicas para um refúgio na natureza, confira seleção especial com diversos cantos não óbvios espalhados pelo estado que trazem detalhes peculiares para um turismo mais natural. Não esqueça de conferir também as dicas deixadas logo na introdução.

Cachoeiras, trilhas, rios e diversas outras opções. O turismo ecológico ou ecoturismo tem como objetivo promover a aproximação com a natureza e preservar o equilíbrio do meio, assim fomentando a educação ambiental dando suporte para temas como a sustentabilidade.

Quando se pensa em lugares para fazer trilhas e caminhadas nas terras baianas, um dos primeiros locais que pode surgir como indicação é a Chapada Diamantina, mais especificamente em cantos como Lençóis, Mucugê, Andaraí e o Vale do Capão (que conta com a Cachoeira da Fumaça, por exemplo).
Foto: divulgação
A Chapada é uma região vasta e explorar toda sua imensidão é um trabalho que leva muitas visitas. Porém, há outras localidades para se conhecer, não só dentro da própria Chapada, mas também fora.

Além dela, outro local que pode surgir nas dicas mais costumeiramente faladas, é Itacaré, município baiano que conta com diversas trilhas e opções de esportes como o raffiting (com acompanhamento de guias).

O NÃO ÓBVIO, então, separou diferentes lugares na Bahia para quem deseja praticar o ecoturismo e que não são facilmente encontrados em dicas por aí. Confira a lista para aproveitar no próximo feriadão, nas férias ou quando mais preferir, sem ordem de preferências:

1. Raso da Catarina | em Paulo Afonso

Região mais árida da Bahia e pertencente à caatinga, o Raso da Catarina possui o contraste do sertão nordestino: arenoso, formado por diversos paredões e dando origem a cânions que tornam a paisagem belíssima.

Eles são vales profundos com encostas quase verticais, que podem se estender por centenas de quilômetros e atingir de 30 a 80 mil metros de profundidade.
Foto: Trip Advisor | Divulgação
Em meio aos paredões naturais, o espaço fica localizado na reserva indígena Pankararé. A origem do nome tem duas versões: a primeira uma homenagem a uma mulher indígena que morreu no lugar. A segunda devido a dona da Fazenda Catarina. Reza a lenda que a dona lutou contra a seca, mas foi derrotada por gafanhotos que acabaram com as plantações de milho e feijão. Por conta disso, a fazendeira enlouqueceu e ficou sozinha até o final de sua vida.

O local pode soar não tão não óbvio assim devido às grandes produções televisivas recentes terem utilizado suas paisagens para compor o cenário. É de lá que algumas imagens da novela Velho Chico e da minissérie Amores Roubados pertencem.

Porém, como o Brasil quase não possui cânions em sua formação, o local entra na lista como dica para os que não o conheciam e para aquelas que já tinham ouvido falar, mas não sabiam bem sobre as peculiaridades que o ambiente reserva. Além disso, o espaço ainda traz a quebra da ideia de que o sertão é associado apenas com seca e pobreza.
Foto: Kalango do Sertão | Divulgação
Há passeios de catamarã, mergulhos e trilhas. Para chegar ao local, pode se pegar vans saindo de Paulo Afonso (BA), Piranhas (AL), ou Delmiro Gouveia (AL). É preciso ir acompanhado de guias e há uma taxa de R$ 20 reais por pessoa.

☌ Endereço: Paulo Afonso, a 470 km de Salvador.
☌ Opção de contato:
Nicollas Mateus, guia local.
☌ Telefone: (75) 98858 – 9199.
☌ Mais informações: Kalango do Sertão.

2. Pico do Barbado | em Piatã


Quem aprecia ecoturismo sabe que a cidade mais alta do Nordeste está na Bahia, mais especificamente em Piatã, município do estado. Sendo assim, o Pico do Barbado aparece aqui pela característica singular: é o ponto mais alto de todo o Nordeste, localizado entre os municípios de Rio do Pires e Abaíra, estando a 2.033 metros acima do nível do mar.

Também está na Chapada Diamantina, só que ao sul e sendo uma área de preservação ambiental devido à sua flora.

Foto: Peter Tofte | Divulgação

Quem não é baiano pode achar estranho ter um lugar no estado que provoca tanto frio, mas o Pico do Barbado vem provar justamente a existência das misturas de temperaturas baianas, já que o espaço pode chegar a 3 graus.

Sua altura é tão impressionante que, de lá, é possível visualizar o Pico das Almas (1.958 m) e o Pico do Itobira (1.970 m).

Há várias formas de se chegar ao local, mas as mais conhecidas são: através de Rio de Contas ou por uma trilha no povoado de Catolés, em Abaíra. Para subir o pico, é necessário a contratação de guia e levar água e alimentos, pois não há comércio no meio do caminho. Os preços variam, mas chegam em média a R$ 100 por grupo de 5 pessoas.

☌ Endereço: Piatã, a 577 km de Salvador.
☌ Opção de contato: Agência Na Altitude Ecoturismo.
☌ Telefone: (71) 99949-0374.
☌ E-mail: naltitudecoturismo@gmail.com
☌ Mais informações: Guia da Chapada Diamantina.

3. Parque Estadual das Sete Passagens | em Miguel Calmon

Localizado no município de Miguel Calmon, no norte da Chapada Diamantina, o Parque Estadual das Sete Passagens possui a bacia hidrográfica do Rio Itapircuru e diversas cachoeiras, sendo as mais famosas: a do Jajai, do “S” Verde, do Espirro, do Coração, do Sinvaldo, Bico do Urubu, Encontro das Águas, Cadeiras da Natureza, do Tucano e do Portal. Algumas dessas chegam a ter mais de 100 metros de altura.
Foto: divulgação
As trilhas possíveis dão uma visão extensa de todo o local e dão acesso às cachoeiras.

Devido a presença de grandes bacias hidrográficas em sua localização, o parque tem uma grande importância, pois está numa região conhecida como Polígono das Secas. Como o nome já diz, há grandes períodos de estiagem. Suas nascentes ajudam a fornecer água para diversos riachos.

Para realizar as trilhas, é necessário contratar um guia local. É possível acampar no parque, que conta com a presença de uma área de camping. É cobrada uma taxa de R$ 30 reais na entrada.

☌ Endereço: Miguel Calmon, a 367 km de Salvador.
☌ Opção de contato: Sede Administrativa do Parque Estadual das Sete Passagens (números abaixo).
☌ Telefone: (74) 3627-2121 | (74) 99962-0265

4. Cachoeira das Moendas | em Ituaçu


A imagem de abertura desta lista traz, justamente, a Cachoeira das Moendas vista de cima. Para aqueles que curtem rapel, ela pode ser a pedida certeira. Com até 70 metros de altura e pertencente ao município de Ituaçu, também faz parte da Chapada Diamantina, só que bem ao sul, quase no limite. Não à toa, Ituaçu recebe o apelido de Portal Sul da região.
Foto: Projeto Fazenda das Moendas | Divulgação
A cachoeira fica na Fazenda Moendas, a 8 km do município e está em um vale. Por isso, possui várias piscinas naturais e poços, com os mais famosos sendo Poço do Amor e o do Pecado.

É possível fazer duas trilhas através dela: uma por cima com direito a mirante, sendo 7 km de carro e 5 km a pé e uma por baixo, com 7 km de estrada de chão e 2,6 km a pé. Além delas e do rapel, há opções de se fazer spa, escaladas, trekking e tirolesas. É necessária a contratação de guia e paga uma taxa de R$ 15 reais para qualquer roteiro ou atividade.

☌ Endereço: Ituaçu, a 500 km de Salvador.
☌ Telefone | opções de contato:
(77) 3415-2197 | (77) 98134-3676 | (71) 98273-2148
☌ Mais informações: Fazenda Moendas.

5. Cachoeira de Pancada Grande | em Ituberá

Ituberá é um município que fica na região da Costa do Dendê. Uma das suas paisagens estonteantes é a Cachoeira de Pancada Grande. Localizada na Reserva Ecológica Michelin, a cachoeira possui 50 metros de altura.
Foto: divulgação
É uma área em plena Mata Atlântica, com um dos maiores corredores ecológicos do Brasil e faz parte do Programa Ouro Verde Bahia, um dos projetos de desenvolvimento sustentável que o grupo Michelin possui.

O lugar é gratuito e de fácil acesso, com estacionamentos bem próximos à cachoeira. É possível chegar até o topo dela através de uma escada com 310 degraus. Porém, é preciso ter cuidado para não escorregar nas pedras.

Há piscinas naturais tanto no topo quanto na base e, para aqueles mais dispostos a fazer esportes radicais, é possível praticar rapel. Ela está aberta ao público todos os dias, das 8h às 17h e o acesso é gratuito.
Foto: divulgação
☌ Endereço: Ituberá, a 140 km de Salvador.
☌ Mais informações: Programa Michelin Ouro Verde Bahia.

6. Parque Estadual da Serra do Canduru | em Serra Grande

Serra Grande, no sul da Bahia, é o local perfeito para quem curte ecoturismo: várias trilhas, possui arvorismo, há belas praias, além de ter uma produção artesanal elogiada.

Dentre todas as opções que o pequeno distrito de Uruçuca oferece, o Parque Estadual da Serra do Canduru (PESC) acaba se destacando por não ser tão óbvio assim.
Foto: PESC |Divulgação
Localizado na Costa do Cacau, entre Uruçuca, Ilhéus e Itacaré, é dono de uma das maiores biodiversidades do planeta e repleto de espécies endêmicas. Recebeu esse nome em homenagem ao Conduru, uma árvore de madeira nobre muito encontrada no sul da Bahia.

No parque, é possível visitar mirantes, sendo eles o Mirante Pequeno, bem próximo de uma das trilhas e o Mirante da Mata da Torre. Há também a Cachoeira da Mata, formada pelo rio Tijuípe e que possui algumas corredeiras.

Para a visitação, há modalidade de pernoite, com pré-agendamento com o gestor do parque ou sem agendamento, de terças aos domingos, das 8h às 17h. Acesso gratuito.
Foto: PESC |Divulgação
☌ Endereço: Serra Grande, a 268 km de Salvador.
☌ Opção de contato: Marcelo Barreto, gestor do parque.
☌ Telefone: (73) 3211-8248 | (73) 3239-6043.
☌ E-mail: cgpesc@gmail.com ou marcelo.barreto1@inema.ba.gov.br.
☌ Mais informações: Parque do Canduru.

*Conteúdo em parceria com o site Não Óbvio