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'Stranger things 3' fala sobre o maior de todos os monstros: crescer

Série estreia nesta quinta-feira com mudança climática e um shopping center no centro da trama

Agência, O Globo
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Uma das séries de maior sucesso da Netflix, “Stranger things” chega hoje à sua terceira temporada em clima de amadurecimento. As crianças que investigam acontecimentos sobrenaturais na cidade fictícia de Hawkins já não são mais exatamente crianças, os irmãos mais velhos começam a largar a adolescência, e o crescimento é tão assustador quanto um demogorgon — monstro que assombra os moradores.

A nova temporada começa com uma mudança, sobretudo climática.

— Pela primeira vez é verão. Estamos de férias, aproveitando a vida, no auge da nossa adolescência — conta Finn Wolfhard, que vive Mike, um dos protagonistas. — Na prática, isso significa que a série terá acampamentos, piscinas e a nova grande atração de Hawkins: um shopping center.

Para recriar com detalhes a atmosfera da novidade, a produção reformou completamente um shopping abandonado nos arredores de Atlanta, uma das locações dos oito episódios. Limparam, pintaram, adicionaram luzes, reproduziram lojas de 1985 (quando a narrativa acontece), colocaram produtos nas prateleiras. O resultado é o maior set da temporada, no qual grande parte da ação acontece.

Foto: Divulgação

O shopping terá uma função importante na trama, já que os atores, agora jovens, circularão muito por lá.

— Nesta temporada vemos a Eleven escolhendo o que ela quer — conta Millie Bobby Brown, que interpreta a personagem. — É a primeira vez que a vemos, por exemplo, escolhendo o que vai vestir. Na primeira temporada, temos o Mike escolhendo seu vestido, na segunda, o Hopper (David Harbour) lhe repassando algumas peças. Nesta, ela vai ao shopping descobrir os seus desejos. É incrível ver isso acontecendo.

As transformações não se restringem ao guarda-roupa. Os personagens começam a enfrentar desafios comuns a todo adolescente, entre eles, as paixões.

— Agora Eleven e Max (Sadie Sink) têm namorados — conta Millie, de 15 anos. — Ela está aprendendo a ter relações com o pai adotivo, com o pai biológico e com ela mesma. É o momento de se conhecer. Só que agora tem que lidar com um menino. É muita coisa acontecendo, mas são coisas boas.

— Você consegue sentir a inocência e a ignorância que temos a respeito desse tipo de assunto. A gente não está pronto para fazer o que adultos fazem… — diz Caleb McLaughlin, 17 anos, o Lucas da série.

Fora das câmeras, o crescimento dos protagonistas é também notável. Apesar dos 16 anos, Finn montou a Calpurnia, banda de rock alternativo que já fez parcerias com grupos como o Weezer. Com a mesma idade, Gaten Matarazzo, intérprete do carismático Dustin, tornou-se ativista para divulgar a displasia cleidocraniana, doença causadora da malformação óssea que tanto ele quanto seu personagem possuem. E Millie migrou para Hollywood, com cachê na casa do milhão.

Seu “envelhecimento” abre espaço à chegada de uma novíssima geração.

— O grande destaque desta temporada será a Priah Ferguson (atriz de 13 anos que interpreta Erica, irmã de Lucas) . Ela tem um timing e profissionalismo assustadores — afirma Noah Schnapp, o Will.

Erica entra com destaque maior na trama após ganhar milhares de fãs (e memes) na segunda temporada, quando foi apresentada ao público, com pouquíssimas falas.



Joe Keery, o Steve, resume bem o espírito desta terceira temporada:

— A gente retrata aquele momento em que o colégio acaba, e você percebe que a merda vai bater no ventilador, porque a vida de verdade está começando.

Um dos maiores trunfos dos novos episódios é o desenvolvimento da própria trama, que toca em assuntos atuais. Uma das questões abordadas é a diferença de tratamento entre homens e mulheres no ambiente de trabalho. Mesmo quando não é explícito, o tom feminista está por toda parte.

— Se nas primeiras temporadas a trama girava em torno da amizade dos meninos, agora a gente consegue ver a dinâmica da vida das amigas Max
 e Eleven — conta Sadie Sink.

Millie concorda com a colega de elenco:

— Colocar duas meninas poderosas contracenando é a decisão mais inteligente que os irmãos Duffer (criadores da série) poderiam tomar — diz ela.