Copa 2018

Casemiro era 'ponto de equilíbrio' de Zidane; Tite tem a mesma visão

Volante tem postura tradicional e, mesmo assim, é o principal elo entre defesa e ataque

Bruno Marinho e Igor Siqueira, da Agência O Globo

Casemiro primeiro resolveu questões consigo mesmo. O volante de comportamento errático fora de campo no começo da carreira admite que precisou cuidar de si antes de ter o reconhecimento dos outros. Foi isso que deixou implícito na sua primeira coletiva pela seleção desde que o grupo se reuniu para a Copa do Mundo, sem que ninguém perguntasse a respeito.

Casemiro em entrevista coletiva em Sochi. (Foto: MoWa Press)

Este Casemiro mais equilibrado é uma referência da seleção para a partida de amanhã, contra o México, pelas oitavas de final da Copa do Mundo. Ele se transformou também no ponto de equilíbrio das equipes que defende. No Real Madrid e na seleção, é um dos principais responsáveis pela ofensividade dos esquemas de Zinedine Zidane e Tite, por mais que jogue longe da grande área adversária. Se é que isso existe, pode ser considerado um primeiro volante pós-moderno — é mais estático à frente da área e compensa isso fazendo a bola rolar com passes e lançamentos de qualidade.

Na Rússia, acredita não existirem muitos iguais a ele. Na era dos volantes box-to-box — que conseguem jogar desde a entrada da área defensiva até a mesma região do ataque, participar de triangulações —, ele se reconhece como diferente dos demais:

"Há grandes jogadores nessa função, de primeiro volante. Hoje em dia, fala-se muito do Busquets, mas ele tem característica muito diferente da minha. Ele é um primeiro volante de que gosto muito. Hoje em dia são poucos. Kanté é um grande jogador, Pogba, mas com a minha característica, não tem tantos no futebol".

Casemiro durante o treino da Seleção Brasileira em Moscou, na Russia. (Foto: Pedro Martins / MoWa Press)

De fato, Casemiro é uma espécie rara, ao menos entre as principais seleções nessa Copa. A Bélgica sequer joga com volantes, para se ter uma ideia. A Alemanha, com Kroos e Gundogan, tinha dois segundos volantes capazes de jogar como meias, se fosse preciso. Quando comparado a Busquets, da Espanha, Kanté, da França, Mascherano, da Argentina, e Henderson, da Inglaterra, a tese do brasileiro ganha corpo.

Uma análise do mapa de calor de cada um desses jogadores na última rodada da fase de grupos da Copa mostra que Casemiro é o que atua mais recuado. Praticamente não passa do círculo central. Sua movimentação se dá no sentido da defesa, para ajudar na cobertura dos laterais. Isso não o incomoda.

"O professor Tite faz algo que me deixa feliz. Tudo que ele me pede é o que eu já faço no Real Madrid. Claro que uma coisa ou outra é diferente, mas estou sempre pautado no que me fez chegar até aqui. Ele não mexe com o meu perfil", explicou.

Mas se fosse apenas um cão de guarda, daqueles que vez ou outra ainda surgem no futebol brasileiro, volante destruidor das jogadas dos adversários, mas sem recursos para iniciar as próprias, Casemiro certamente não estaria onde está. Em uma comparação com os mesmos adversários, é um dos que mais acertam passes na Rússia. Quando consegue o desarme — apesar de ter jogado as três partidas do Brasil, cometeu apenas duas faltas —, é no lançamento dele para os pontas (Neymar ou Willian) que a seleção aposta para começar os contra-ataques. Assim, chega às oitavas de final em Samara mais importante do que nunca para o Brasil. A palavra de ordem: ter equilíbrio.

"Temos de juntar os dois lados dentro de uma partida. Em alguns momentos, o México vai estar melhor; em outros, o Brasil. Temos de juntar o coração e a cabeça, ter equilíbrio. Ele é fundamental para ganharmos esses jogos e a Copa do Mundo", avisa.

Recuperado de contusão, o lateral direito Danilo deve estar na lista do jogo de amanhã. Marcelo segue sendo dúvida, e Douglas Costa continua em tratamento.