Futebol

Como o desempenho na Copa pode mexer com a eleição de melhor jogador do mundo

Candidatos serão anunciados na próxima semana, e destaques do Mundial tentam aproveitar bom momento

Bernardo Mello, da Agência O Globo

A escolha do melhor jogador do mundo pela Fifa ganhou contornos de campanha eleitoral. A premiação “The Best” foi antecipada em um mês, passando de outubro para o fim de setembro, em Londres, e o prazo de avaliação foi estendido até meados de julho para incluir a final da Copa do Mundo, disputada neste domingo. Uma relação com dez candidatos ao prêmio será divulgada já na próxima segunda-feira (23). Quem se destacou no Mundial da Rússia tenta surfar o bom momento e garantir a preferência de quem vota nos melhores de 2018.

O croata Luka Modric, por exemplo, escolhido pelo painel técnico da Fifa como o melhor jogador da Copa de 2018, tem lobby forte dentro da seleção para o “The Best”, que será entregue pela Fifa em 24 de setembro. Modric teve sua melhor posição no prêmio do ano passado, quando ficou em sexto. O zagueiro Dejan Lovren, capitão da seleção da Croácia - e participante da votação da Fifa -, avisou que será “inexplicável” se Modric não ficar entre os três melhores de 2018.

"Não sei como ele não poderia estar entre os três finalistas. Já foi escolhido o melhor da Copa. Luka (Modric) mostrou nesta final que merecia ser o número 1 do torneio e do mundo. Estou muito orgulhoso", elogiou Lovren.

As palavras, mais do que mero afago entre amigos, também servem para implantar tendências no colégio eleitoral da Fifa. Quatro grupos votam no “The Best”: capitães e treinadores das seleções, jornalistas dos países-membros da Fifa e o público geral, este último através da internet. Cada grupo tem peso de 25% no placar final, e cada pessoa só pode votar uma vez. Como há participação popular, manter um atleta em evidência na memória do público pode aumentar suas chances. Enquanto Modric foi o jogador de linha que mais tempo passou em campo nesta Copa - foram 741 minutos, o equivalente a mais de oito partidas completas -, o egípcio Mohammed Salah, colega de Lovren no Liverpool-ING e um dos maiores destaques da temporada europeia, deixou uma última impressão discreta. Salah fez apenas dois jogos, não conseguiu trazer nenhuma vitória para o Egito e voltou para casa mais cedo.

Uma trajetória breve na Copa do Mundo não significa, é claro, o fim das chances de levar o prêmio de melhor jogador do mundo. A Copa, afinal, é a impressão mais recente na votação deste ano, mas o desempenho pelos clubes também é considerado. Antes da decepção na Rússia, Salah estabeleceu um novo recorde de gols (32) numa mesma temporada da Premier League. É nome certo na pré-lista com dez indicados ao “The Best”, e pode sonhar com uma vaga entre os três finalistas.

Em 2010, Lionel Messi ganhou a Bola de Ouro da Fifa mesmo eliminado da Copa nas quartas de final e criticado por não brilhar tanto pela Argentina quanto pelo Barcelona. O desempenho avassalador pelo clube catalão foi mais do que suficiente para impulsionar Messi ao prêmio individual. Em 2014, Cristiano Ronaldo ficou na primeira fase da Copa com Portugal, mas ainda assim ganhou a Bola de Ouro no fim do ano. Contou a ótima temporada pelo Real Madrid naquele ano, quando liderou o clube na conquista da sonhada “La Décima” Liga dos Campeões.

Ambos, Messi e Ronaldo, caíram nas oitavas de final do Mundial da Rússia, mas é difícil imaginar um dos dois fora do trio de finalistas do prêmio de melhor do mundo. Seria a primeira vez desde 2010, quando os espanhóis Iniesta e Xavi, campeões mundiais na África do Sul, fizeram companhia a Messi na premiação.

A falta de alguma unanimidade individual nesta Copa, por outro lado, abre espaço para mais de um candidato reivindicar a preferência do público e dos colegas de futebol antes da eleição da Fifa. Eden Hazard, por exemplo, declarou após levar a Bélgica ao terceiro lugar da Copa que conseguia se imaginar recebendo o prêmio de melhor jogador do torneio - o mesmo degrau que inspira o lobby dos croatas por Modric na eleição do “The Best” da Fifa. Mas Hazard, político, já apontou o francês Kylian Mbappé, de 19 anos, como candidato à Bola de Ouro.

"Baseado no seu potencial, e na sua qualidade, acho que ele já merece esse prêmio", disse Hazard ao canal "beIN Sports" antes de enfrentar a França na semifinal.

Mbappé, por sua vez, mostrou ambição depois da final contra a Croácia, quando marcou o último gol francês na vitória por 4 a 2.

"Estou só no começo da minha caminhada. Grandes coisas ainda estão por vir. Tenho muita coisa para escrever ainda - disse Mbappé".

Griezmann, seu colega de seleção francesa, é outro que está de olho na votação para o prêmio de melhor do mundo da Fifa. Antes da final da Copa, o atacante disse que “não se importava” com a honraria individual. Na vitória sobre os croatas, Griezmann foi escolhido o “homem do jogo” na final e ainda apareceu como terceiro melhor da Copa na avaliação do grupo técnico da Fifa, atrás apenas do vencedor Modric e do vice Hazard. O discurso, embora tenha continuado reticente, mudou um pouco:

"Bem, as pessoas estão votando… Vamos ver o que acontece", disse Griezmann após a final da Copa. "No momento, quero aproveitar essa vitória com minha família e com todos os franceses. A decisão pela Bola de Ouro não está nas minhas mãos".