Futebol

Depoimentos afirmam que ar-condicionado teve curto-circuito dois dias antes da tragédia

Reportagem veiculada neste domingo mostra depoimentos que revelam novos detalhes sobre a tragédia no CT do Flamengo

Agência O Globo
Reportagem veiculada neste domingo pelo programa 'Esporte Espetacular' mostra depoimentos que revelam novos detalhes sobre a tragédia no CT do Flamengo. Um monitor e um técnico de refrigeração do clube afirmaram à polícia que um dos aparelhos de ar-condicionado do módulo habitacional teve curto-circuito dois dias antes do incêndio que vitimou 10 jogadores da divisão de base. No entanto, esse não foi um dos dois aparelhos que pegaram fogo na tragédia.
O monitor Adalberto Lourenço revelou que operários que trabalhavam na obra do CT 2 gritaram dizendo que um ar-condicionado do alojamento estaria pegando fogo. Adalberto foi ao local, desligou a chave-geral e depois conseguiu identificar qual era o aparelho queimado.
A manutenção dos aparelhos de ar-condicionado era de responsabilidade da Colman - Serviço de Refrigeração, empresa que funciona dentro da sede do clube, na Gávea. O dono da empresa é Edson Colman, que há 23 anos presta serviços para o Flamengo.
Em seu depoimento, Colman diz que esteve no Ninho no fim de janeiro para uma manutenção de rotina e retirou dois aparelhos para uma revisão mais detalhada, mas não trocou nenhuma peça, e os reinstalou. Um desses aparelhos foi o que pegou fogo dois dias antes da tragédia. Colman foi chamado nesse mesmo dia para restabelecer o funcionamento do aparelho e fez uma emenda com fita isolante.
Segundo a perícia, o incêndio começou no ar-condicionado do quarto seis, onde todos os meninos que dormiam conseguiram escapar. Depois, um curto-circuito no quarto de número 4 teria gerado um segundo foco de incêndio. Ainda de acordo com a perícia, o ar-condicionado que teria pegado fogo dois dias antes seria o do quarto 3 - ou seja, um aparelho diferente dos que causaram a tragédia.
- Problemas nesses três aparelhos diferentes são uma forte evidência de que aquela instalação como um todo tinha grandes vulnerabilidades. Os aparelhos podem ter esse tipo de problema devido à instalações elétricas mal feitas - acredita Geraldo Portela, especialista em risco e segurança.
O inquérito que vai apontar as causas e os prováveis culpados pelo incêndio e pelas mortes teve o prazo inicial de 30 dias prorrogado por mais 60. Segundo o especialista em direito criminal Ricardo Sidi, tanto Edson Colman, responsável pela manutenção dos aparelhos de ar-condicionado, como representantes do Flamengo podem ser responsabilizados criminalmente.