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e-Sports: um mercado silencioso que começa a fazer barulho

Com faturamento anual superior a 90 bilhões de dólares, mercado dos games já ultrapassa o da música e o do cinema somados

Gabriel Lopes e David Silva (gabriel.freitas@redebahia.com.br e david.silva@redebahia.com.br)
- Atualizada em

É difícil encontrar em 2018 alguém que não tenha experimentado a sensação de jogar vídeo game. Os jogos eletrônicos, que sempre estiveram presentes como forma de lazer para passar o tempo, vivem uma fase de febre mundial. Mas agora, além da diversão, a coisa ficou séria. Você sabia que tem gente que está se profissionalizando e ganha dinheiro com esportes eletrônicos?

League of Legends, FIFA e CS GO: jogos populares entre jovens. (Fotos: Divulgação)

O motivo para tanto sucesso pode ser explicado pela escolha de jogos populares com torneios que pagam prêmios milionários e jogadores que viram ídolos. Para o ex-jogador da Kabum! e atual TShow (League of Legends), Daniel "Danagorn" Drummond, a principal dica para entrar no mercado é manter o foco e tentar aprimorar as suas técnicas. "É essencial se dedicar para evoluir e melhorar dentro do jogo. Jogar no high elo (nível mais alto) é essencial, porque só assim as pessoas do competitivo podem te enxergar e saber qual é o seu estilo", afirma.

Muitas pessoas têm medo do futuro incerto, principalmente com o avanço da idade, que é quando os reflexos diminuem e os músculos ficam mais rígidos. Daniel, por outro lado, discorda. "A idade é só um detalhe. O que vale é a sua dedicação", afirma. Prova disso é a formação do primeiro time da terceira idade no cenário de CSGO. A equipe sueca "Silver Snipers" é integrada por jogadores que tem entre 57 e 75 anos e iniciou suas atividades no ano passado.

Crescimento do cenário nacional e CBLoL
O Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLoL) reuniu, em 2017, mais de 2 milhões e 600 mil espectadores simultâneos, ávidos por acompanhar os embates que ocorrem em Summonner's Rift, terra fictícia do jogo. Com uma premiação de mais de R$ 200 mil, dividida em dois splits, as equipes se reúnem nos estúdios da Riot, em São Paulo, para levar a bolada para casa. Mas nem sempre foi assim: até 2012, o cenário ainda era bem tímido e levou um susto ao presenciar a maior premiação até então, de 25 mil dólares.

Final do CBLoL 2016 lotou o Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. (Foto: Riot / Divulgação)

Assim, de pouco em pouco, os holofotes viraram para o League of Legends. Narradores profissionais surgiram, como o soteropolitano Tácio Schaeppi, jogadores profissionais alçaram status de "rockstar", como o carioca BrTT, e empresas passaram a investir cada vez mais, como a Kappa, que começou a patrocinar a TShow e a Team ONE.

De 2017 para cá, algo inusitado também movimentou o mercado: grandes times consagrados do futebol começaram a migrar para os campos virtuais. Corinthians, Flamengo e até o Vitória escalaram equipes para representar os seus escudos nas disputas online do game - o BrTT, inclusive, joga pelo Flamengo.

Na última terça-feira (17), o Esporte Clube Vitória deu início ao processo seletivo para encontrar seu elenco de League of Legends (LoL). O clube pretende selecionar 15 jogadores e os interessados devem acessar o site da peneira até o dia 17 de maio para realizar inscrição. Os jogadores precisam ter, no mínimo, 13 anos e caso o inscrito seja menor de idade, será necessário autorização dos responsáveis. Os candidatos devem, ainda, efetuar o pagamento da taxa de inscrição (15 reais). O Vitória não divulgou informações de quando ou como os jogadores serão selecionados.

O Vitória começou a investir nos esportes eletrônicos em 2018, com a criação do Vitória eSports e em fevereiro, o clube anunciou que participaria oficialmente de torneios no modo Pro Clubs do FIFA, nas plataformas PlayStation 4 e Xbox One.

O futuro, no entanto, ainda é incerto. Promissor, com certeza, já que existe um projeto de lei - (PL) 383/2017 -, que deseja regulamentar a prática dos eSports e reconhecê-los como tal.

ESL One Belo Horizonte
Além da movimentação no cenário nacional, o Brasil sediará mais um grande evento de esportes eletrônicos a nível mundial. No dia 28 de março foi anunciada a ESL One Belo Horizonte, campeonato de Counter Strike: Global Offensive, o CS GO. A competição acontecerá entre os dias 15 e 17 de junho, na capital mineira, no Ginásio Mineirinho. 

A ESL (Liga de Esportes Eletrônicos) espera receber até 12 mil pessoas durante o torneio e o evento de Belo Horizonte terá premiação de US$ 200 mil (cerca de R$ 640 mil) para ser distribuída entre os times competidores. A escolha do Mineirinho foi influenciada pelo sucesso da final do 2º Split do CBLoL, no ano passado, que também foi realizada no ginásio.

A aposta da empresa em trazer o campeonato para o Brasil também pode ser justificada pelos números, já que o Counter Strike: Global Offensive é o jogo mais adquirido no país, dentro da plataforma digital 'Steam'.

Para o diretor de novos negócios da Talent Experts e ex-diretor de parcerias da ESL Brasil, Moacyr Alves, a maior dificuldade encontrada para o crescimento dos eSports no país é a falta de conhecimento. "As empresas tradicionais ainda não enxergam o cenário como um mercado promissor, talvez por preconceito, mas talvez por desconhecimento. Contudo, se elas não captarem esses jovens agora, depois será tarde demais. Toda empresa que quiser se rejuvenescer, o caminho é esse", afirma.

Moacyr Alves também já representou a Bethesda no Brasil e a Telltale Games. (Foto: Divulgação)

Além disso, ele também deu dicas para quem quer entrar no mercado e ainda não sabe por onde começar. "É importante ter em mente que não é um mercado fácil, muito menos barato. É preciso ter uma boa estrutura e procurar parcerias fortes, que tenham expertise para converter números em negócios. Empresas que investem há dois anos, por exemplo, já têm tido um retorno rápido", finaliza.