Futebol

Empresário garante "esquema" para convocação de jogadores na Seleção: "claro que existe"

Segundo o agente, há também negócios nas divisões de bases dos clubes, onde gerentes e treinadores ganham dinheiro

Redação iBahia (redacao@portalibahia.com.br)
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Wagner Ribeiro é uma espécie de especialista em agenciar jogadores no Brasil. Pela sua mão, já passaram e estouraram nomes como Robinho, Kaká, Lucas e o craque do momento, Neymar. Desde 2000, ele já movimentou mais de R$ 1 bilhão em transações no futebol e não deve parar por aí. No entanto, em entrevista ao jornal O Diário de São Paulo, Ribeiro fez revelações com relação ao mundo da bola e disse quase não ter dinheiro hoje, graças à um divórcio causado por uma traição e descoberta da esposa de Robinho.


Logo de cara, o talvez maior agente de futebol do país revelou qual é o segredo para conseguir valores tão altos nos atletas brasileiros. Segundo Ribeiro, influência na Europa e a qualidade dos jovens jogadores dita o ritmo.


"A primeira coisa é ter grandes jogadores. Depois, ter bom relacionamento na Europa. Sou amigo pessoal do Florentino Pérez — presidente do Real Madrid —, falo com o dono do PSG (Nasser Al-Khelaifi), estou no WhatsApp sempre com o Arsene Wenger (técnico do Arsenal), com o Bartolomeu (presidente do Barcelona), com o pessoal do Bayer Leverkusen, Liverpool, Manchester united...", contou.


O empresário foi o responsável pela venda de Lucas, do São Paulo, para o Paris Saint-Germain, mas revelou que antes de o jogador ir parar na França, estava tudo certo para que ele defendesse o Manchester United, da Inglaterra. Aos 45 minutos do segundo tempo, ele arquitetou um verdadeiro "chapéu" nos red devils para ganhar R$ 53 milhões a mais na venda.


"Eles (do United) disseram que eu fui muito comerciante, mas vejo o melhor para os meus clientes. O Manchester pagaria R$ 106 milhões. O Gustavo Vieira (gerente do São Paulo) já estava em Manchester para concretizar a operação. Aí, liguei para o Leonardo (então diretor esportivo do PSG), que se interessou. Falei para o Gustavo dar um chapéu no Manchester e ir me encontrar em Paris. Fechamos por R$ 159 milhões.


Assim como, Kaká foi outro são-paulino agenciado por Ribeiro. O empresário descobriu e investiu no meia-atacante, até levá-lo para o Milan, onde tornou-se o melhor jogador do mundo em 2007. Entretanto, hoje o jogador, que defende o Orlando City, dos EUA, não trabalha mais com Wagner Ribeiro. O motivo? Seu pai.


"O pai dele resolveu tomar conta da carreira. Foi uma decepção muito grande que pensei em largar o futebol. Nunca mais falei com o pai do Kaká", contou, antes de revelar porque também deixou de agenciar Robinho.


"O Robinho é meu amigo até hoje. O que aconteceu foi um problema pessoal. A esosa dele, que tinha uma amizade com a minha, acabou descobrindo uma traição minha e contou para a minha mulher... Cheguei a ficar sem dinheiro para nada (após a separação). Perdi vários negócios por falta de R$ 200 mil para comprar jogador. (Perdi) mais de R$ 25 milhões entre dinheiro e imóveis. Só a casa onde eu morava, na frente do Parque Ibirapuera, vale R$ 14 milhões. Teve mais uma casa no litoral de R$ 5 milhões, contas bancárias. E o litígio ainda não acabou", revelou.


Depois de falar ao jornal que vários clubes brasileiros ainda devem dinheiro aos seus jogadores e, consequentemente, a ele, Wagner Ribeiro desmentiu as acusações de que teria pressionado, ao lado do pai do atacante Gabriel, o Gabigol, do Santos, o técnico Enderson Moreira, demitido do clube recentemente, admitiu a possibilidade de vender o jovem de 18 anos ainda no meio deste ano e garantiu que há esquema de dinheiro para convocação de jogadores para a Seleção Brasileira.


"Eu nunca vi, nem falei pessoalmente com o Enderson, assim como o pai do Gabigol. Tanto é verdade que o Enderson caiu e o menino continuou no banco. A única coisa que eu disse para o presidente é que o Gabigol é patrimônio do clube e está se desvalorizando no banco. Ele tem 18 anos, biotipo bom, chuta forte. Eu já tive proposta de R$ 35 milhões, do Wolfsburg (da Alemanha) em janeiro. Se o Gabigol jogar como titular e fizer uns golzinhos, vendo no meio do ano por R$ 90 milhões", assegurou, antes de falar sobre a Seleção.


Corrupção e esquemas financeiros no futebol
"Claro que existe (esquema de convocação). Já teve até um presidente do Sport (Luciano Bivar) que admitiu ter pago para o Leomar ser chamado pelo Leão. Só não tenho como provar outros casos, mas rola sim. Também existe muito negócio na base, com gerente e treinador levando dinheiro para aprovar jogador", pontuou.


Wagner Ribeiro ainda apontou a corrupção dos políticos envolvidos com os eventos esportivos como o que há de mais sujo no futebol verde e amarelo. "Os gastos com os estádios da Copa. Alguns custaram R$ 1,5 bilhão e todo mundo sabe que foi superfaturado. Teve o Lava Jato (esquema de lavagem de dinheiro na Petrobras) e agora esse é o Arquibancada Jato", comparou.