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Garantido no Rio, Renê Pereira treina forte por medalha paralímpica no remo

Quinto colocado no Mundial de Remo, baiano pretende trancar a especialização em psiquiatria para se concentrar no esporte

Ivan Dias Marques (ivan.marques@redebahia.com.br)

O que o corpo tira, ele mesmo pode compensar. E a retribuição para o baiano Renê Pereira, de 35 anos, pode culminar com uma medalha no remo paralímpico no Rio em 2016.

Há cerca de nove anos, um desconforto na coluna transformou a vida de Renê em menos de 24 horas. Acordou, foi ao banheiro e não conseguiu urinar. À noite, estava permanentemente sem movimentos da cintura para baixo. Um abcesso no canal medular comprimiu a medula dele. A inflamação acabou comprometendo células neurológicas. “Do dia pra noite, perdi o movimento das pernas e fiquei dependente”, explica Renê.

Baiano de Itapetinga, a 562km de Salvador, ele sempre foi ligado ao esporte. Faixa preta de caratê, disputou estadual de tênis e chegou a jogar uma Copa São Paulo de Futebol Júnior pelo Itaperuna, pequeno time do Rio de Janeiro.




Amarrado por tronco e pernas, baiano Renê Pereira treina seis vezes por semana na Ribeira para conseguir superar rivais e ganhar uma medalha nos Jogos Paralímpicos do Rio-2016 (Foto: Fotos: Elói Corrêa/GOVBA)


A aprovação no vestibular para Medicina, no entanto, afastou Renê do esporte de alto rendimento. Fazia residência em ortopedia quando o destino mudou a vida dele em 2006. Escolheu voltar ao esporte para se reabilitar, após três anos se recuperando clinicamente. Fez uma pós-graduação em Medicina do Esporte e Exercício e, após analisar o próprio biotipo, escolheu o remo paralímpico. A opção se mostrou acertada.  

Em setembro de 2015, Renê ficou em 5º no Mundial de remo, na categoria ASM, skiff de 1000m, e se classificou para os Jogos Olímpicos do Rio-2016. “A gente conseguiu esse feito inédito. Em Pequim-2008 e Londres-2012, o Brasil só conquistou vaga na repescagem. Agora é tentar focar pra ver se busco uma medalhinha em 2016”, analisa.

Para isso, pretende trancar a especialização em Psiquiatria que faz no Hospital das Clínicas e se concentrar completamente no esporte. “Me programei desde 2012 para que isso acontecesse. É algo temporário. Meu foco é 2016. Depois disso, deixa a vida me levar”, garante o médico.

Tudo por conta do filho Artur, de 6 anos, e da esposa Priscila, de 32. A dedicação nos treinos deixa Renê sem o tempo que gostaria para curtir a família. “Eles têm a ciência de que sou um esportista por natureza, que eu ia fazer isso acontecer”.   

Treino

A batalha para se classificar para os Jogos começou longe das águas. A primeira prova para representar o país nos campeonatos internacionais foi em um simulador, semelhante ao que o baiano possui na sala de casa. Renê foi o melhor do país entre 14 competidores. Na água, ficou em 5º na Copa do Mundo, na Itália. Mesma posição conquistada na França, no Mundial. 




Simulador do barco, fundamental no treino,  fica na sala da casa de Renê (Foto: Fotos: Elói Corrêa/GOVBA)


Para superar ao menos dois competidores e ganhar medalha no Rio, Renê já sabe o que precisa. “Eu tenho plena convicção que, se eu tiver uma logística e uma estrutura de treino adequadas, posso trazer uma medalha para o Brasil e pra Bahia. A realidade daqui é ainda muito distante da Europa”, queixa-se. 

Ele treina seis vezes por semana na Ribeira, mas convive com embarcações que passam perto demais do barco dele. “Já passei um perrengue por causa de uma lancha”, conta ele, que compete amarrado pelas pernas e tronco. 

O pedido de Renê é para que possa treinar na lagoa do Parque de Pituaçu, mais segura. “Sou confiante no meu potencial, mas falta um pouquinho desse apoio”, assegura. Os Jogos Paralímpicos do Rio-2016 serão realizados de 7 a 18 de setembro, no mês seguinte à Olimpíada.

Correio24horas