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'Há dois anos renasci', diz Follmann ao postar foto no local da tragédia

Sobrevivente do acidente da Chape, atleta postou foto no local

Agência O Globo
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O acidente com o voo da Chapecoense completou um dois anos, e deixou 71 mortos e seis sobreviventes da maior tragédia do esporte brasileiro. Um dos atletas que se salvou foi Jakson Follmann, então goleiro da equipe catarinense que viajava para Medellín, na Colômbia, para disputar a final da Copa Sul-Americana de 2018.

Nesta quinta-feira, o ex-jogador, que teve uma das pernas amputadas por causa do desastre aéreo, publicou uma registro de 2017, quando esteve no local da queda um ano depois do acidente. No texto compartilhado em suas redes sociais, Follmann afirma que “renasceu” e que “ainda é difícil acreditar, porque a saudade permanece.


“Há dois anos renasci, em meio ao sofrimento, tristeza, angústia e dor. Mas, amparado por uma rede de apoio que amenizou e ainda ameniza as marcas do meu renascimento. Cada ano que passa, acho que vai ser diferente, que a dor emocional e mental diminuirá, mas pelo contrário ela permanece. Hoje entendo que ela não passará, pois isso é parte que me constitui também, é a minha história. É ainda difícil de acreditar, pois a saudade do passado permanece a cada dia que coloco meus pés na Arena Conda. Não é querer viver desse passado, ou renegar o presente, pelo contrário, a saudade me faz dar ainda mais valor aos meus amigos, filhos, esposos,pais de família que perdemos no dia 29/11/2016. A saudade me faz dar ainda mais valor para história da Chapecoense que nossos eternos e grandes guerreiros construíram.

Em meio aos destroços estou me refazendo, me reconstruindo, aprendendo e reaprendendo a viver. Aprendi a me permitir e viver em paz, com o coração leve, na certeza que Deus está cuidando de tudo e de todos. Se hoje tenho um sorriso estampado no rosto, é uma forma de valorização a todas as pessoas que me apoiam, transmitem carinho, em especial a minha família que é meu alicerce para todos os dias. Essa foto tem um significado especial, pois foi nesse local onde estou sentado que fui resgatado naquela noite. Gratidão por todos aprendizados, gratidão por ter uma visão diferente de mundo na qual eu tinha. Gratidão pelas pessoas maravilhosas que me cercam, gratidão pela vida. #jamaisseraoesquecidos #saudadeeterna“, escreveu o jogador no Instagram.

Além de Folmann, os jogadores Alan Ruschel e Neto, o jornalista Rafael Henzel e dois funcionários da Lamia sobreviveram ao acidente. Quase todos os atletas da Chapecoense (19 dos 22), toda a comissão técnica (14 pessoas, entre elas o técnico Caio Júnior) e alguns dirigentes (11 no total), assim como jornalistas brasileiros (20 no total) e parte da tripulação da Lamia (sete pessoas) morreram na queda da aeronave.