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Outro homem que assediou russa foi identificado por ex-colegas de classe

O jornalista Leonardo da Silva Junior, que se intitula na internet como 'Leo Catuaba Selvagem Valente', está no vídeo de boné

Carol Knoploch e Carolina Oliveira, de Agência O Globo
- Atualizada em

O jornalista Leonardo da Silva Junior, que se intitula nas redes sociais como "Leo Catuaba Selvagem Valente", é mais um dos homens identificados no vídeo em que assediam uma mulher russa. Leonardo, de boné cinza, aparece na filmagem atrás do engenheiro civil Luciano Gil Mendes Coelho.


Os ex-alunos da faculdade de jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo, formando em 2006, reconheceram o ex-colega no video e fizeram uma nota de repúdio na qual identificaram o jornalista. Em uma rede social, ele já foi excluída, o jornalista chegou a postar uma mensagem escrita: " não fui eu, foi meu irmão bastardo. Bjs.

Leia a nota assinada por 47 colegas:
Nós, jornalistas, ex-alunas/os da Universidade Metodista de São Paulo, do curso de Jornalismo, graduadas/os no ano de 2006, no período noturno, vimos por meio desta carta declarar o nosso absoluto repúdio ao ato do colega de turma Leonardo da Silva Júnior, conhecido nas redes sociais como Leo Catuaba Selvagem, que, junto de um grupo de homens, praticou assédio contra uma mulher russa, fato registrado em vídeo pelos próprios assediadores e que vem sendo amplamente divulgado e criticado.


Em uma das versões do vídeo que circulam pelas redes, Leonardo aparece atrás da vítima, trajando um boné com a aba virada para trás. No registro, fica evidente que Leonardo entoa, junto do grupo, palavras ofensivas, as quais também profere a vítima, provavelmente desconhecendo a língua portuguesa e a intenção assediadora do grupo.


Acontecimentos como esse são rotineiros no Brasil, onde assédios às mulheres, assim como à comunidade LGBTQIA+, são insuficientemente registrados, denunciados e juridicamente encaminhados. Por isso mesmo, apoiamos, e mais, consideramos imprescindíveis ações que envolvam a denúncia, a apuração e o enquadramento jurídico do ato, de teor evidentemente machista e racista, e consequências coerentes.


A “brincadeira” – como alguns/as se referem a esse ato – desses homens, que fazem referência à cor do sexo da vítima, como quem a celebra, é sintoma e resultado de desigualdades sociais de gênero e de raça, de forma indissociável, que há séculos danam mulheres, psicológica e fisicamente. Trata-se de um notório desrespeito que só é possível porque, em sociedades patriarcais, potencializa-se, prioritariamente, a autonomia ou soberania de homens brancos, heterossexuais e cisgênero.


É de longa data e larga repercussão a luta de movimentos feministas ou de mulheres no sentido de denunciar, legitimar e limar essas desigualdades, que são estruturais e estruturantes desta sociedade. É fundamental que se deixe de naturalizar acontecimentos como esse e que se busque e destaque, cada vez mais, alternativas para debater e desconstruir o machismo, condição predatória para as mulheres, comunidade LGBTQIA+ e também para a subjetividade dos homens heterossexuais cisgênero. A masculinidade tóxica é prejudicial a todas e todos.


O descaso com pautas envolvendo desigualdades de gênero e raciais deve ser combatido em todos os espaços, institucionais ou não, e também ceifado de formadores/as de opinião, como é o caso de Leonardo da Silva Júnior, que, embora hoje não exerça função no jornalismo, tem o título de Bacharel na profissão.