Paratletismo

Paratletismo brasileiro mira em Tóquio 2020 para alcançar novos recordes

No Rio 2016, das 72 medalhas conquistadas pelo Brasil, 33 vieram do paratletismo

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O esporte paralímpico brasileiro tem alcançado, na história das Paralimpíadas, dados expressivos. Nos últimos 24 anos, o número de pódios do Brasil cresceu mais de 10 vezes. Só de Londres, em 2012, para o Rio, em 2016, o número de medalhas saltou de 43 para 72, e o paratletismo tem uma parcela de ajuda grande nessas conquistas.

Na última paralimpíada, por exemplo, das 72 medalhas, 33 foram conquistadas pelo atletismo. Nomes como Terezinha Guilhermina, Silvânia Oliveira e Petrúcio Ferreira chegaram ao pódio no Rio 2016 e agora focam em Tóquio 2020. 

Terezinha já pode ser considerada uma veterana, tendo conquistado suas primeiras medalhas olímpicas em Atenas, em 2004. Desde o bronze nos 400m na Grécia, a paratleta já conquistou ouro nos 200m, prata nos 400m e bronze nos 100m em Pequim (2008), ouro nos 100m e 200m em Londres (2012) e prata no revezamento 4x100m e bronze nos 400m no Rio 2016.

Terezinha Guilhermina vai em busca de mais pódios em 2020. Foto: Divulgação/CPB

Pouco tempo, grandes feitos
Se Terezinha é veterana, ela pode ser chamada também de descobridora de talentos. Foi ela quem trouxe Vinícius Rodrigues para o paratletismo, ao visitá-lo no hospital após sofrer um acidente de moto e ter sua perna amputada. A ajuda deu certo e hoje Vinícius é o primeiro no ranking mundial dos 100m. 

Outro exemplo de boa atuação é de Petrúcio Ferreira, que, com 20 anos, já tem dado muitas alegrias aos brasileiros. No Mundial disputado em Londres, no ano passado, o paraibano quebrou o recorde dos 100m e dos 200m, quebrando recorde com um tempo de 10s50. 

Preparação 
Antes de tentar mais pódios em Tóquio, os atletas poderão se testar em outras competições, como o Parapan-Americano em Lima, no Peru. “Já começamos a nossa base, estamos há três meses fazendo ela para no ano que vem aproveitar ao máximo essas competições. Mas a nossa meta mesmo é garantir a vaga para Tóquio”, ressalta Silvania Oliveira, recordista mundial em salto em distância para cegas.

Aos 31 anos, ela chegou ao topo da carreira ao conquistar a medalha de ouro nos Jogos Paralímpicos do Rio 2016. Hoje ela detém o recorde na categoria: 5m46. “É um orgulho saber que a população está sabendo do nosso trabalho. Hoje com a evolução da comunicação é mais fácil ver o reconhecimento dos atletas e fazer com que as pessoas se espelhem nos paralímpicos. A gente está conseguindo mudar a consciência da população e estamos focados em conseguir mais medalhas de ouro", diz a recordista.

Apoio
Desde 2015,a Seleção de Paratletismo Brasileira, formada por mais de 40 atletas, é patrocinada pela Braskem, que tem a crença de que o plástico e a química melhoram a vida das pessoas. O material contribui com a evolução das próteses e trouxe um aumento significativo no conforto, na leveza e na performance, proporcionando aos usuários maior liberdade.

Os investimentos da empresa são utilizados para a preparação técnica da modalidade. Para o brasileiro Flávio Reitz, de 31 anos e vice-campeão no salto em altura no Parapan-americano em Toronto, em 2015, o patrocínio como da Braskem fortalece o esporte paralímpico. “Ele tem muita importância, pois abre um precedente que não havia antigamente. A ajuda é muito importante para dar uma segurança para que os paratletas consigam realizar seus sonhos nas próximas competições”, afirma o saltador, que aos 16 anos descobriu um tumor maligno no fêmur da perna esquerda, amputada após a quimioterapia não eliminar o câncer. Agora ele segue treinando intensamente de olho em Tóquio e para conquistar seu melhor resultado.

Para os Jogos no Japão, o Comitê Paralímpico Brasileiro traçou uma meta: a conquista de 60 a 75 medalhas, colocando o Brasil entre as dez principais potências paralímpicas.