Futebol

Time baiano é vítima de racismo na Copa do Brasil de futebol feminino

Segundo relato do técnico Mário Augusto, do São Francisco, cerca de 40 torcedores da Ferroviária-SP ofenderam a delegação

Redação Correio*
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Atual campeão baiano, o São Francisco está eliminado da Copa do Brasil de futebol feminino após derrota por 5x0 para a Ferroviária no jogo de volta das quartas de final, em Araraquara-SP (na ida, o time baiano venceu por 3x2). Mas o que irritou o técnico Mário Augusto não foi o placar. O treinador diz que a equipe foi vítima de racismo no estádio da Fonte Luminosa.

"Um grupo de mais ou menos 40 torcedores ficou atrás do nosso banco de reservas e ficou a partida toda nos agredindo de forma humilhante. Nos chamavam de parte suja do país e, o pior, diziam que todo nordestino tinha que ser exterminado do Brasil", relatou. Mário conta que os torcedores também atiraram objetos nele e nas jogadoras do time baiano após o apito final.

"Uma bateria de celular pegou em meu rosto e fez um corte acima do nariz. Me dirigi ao policiamento (...), os policiais ficaram na entrada do túnel, mas não adiantou de nada, pois jogaram até sapato, laranja e garrafa de água", conclui o técnico baiano.

Rio Grande do Sul - Outra reclamação de racismo no futebol foi feita pelo árbitro Márcio Chagas da Silva, que apitou a partida entre Esportivo e Veranópolis pelo Campeonato Gaúcho, quarta-feira, em Bento Gonçalves. Márcio, que é negro, afirma que foi chamado de macaco por torcedores e que teve o carro depredado no estacionamento situado dentro de uma área restrita no estádio Montanha dos Vinhedos, do Esportivo. Em fotos, mostrou que havia bananas sobre o veículo.

"Infelizmente está voltando à tona esse tipo de atitude por parte de alguns infelizes torcedores. Não foi total da torcida do Esportivo.  Alguns torcedores se manifestaram de forma racista desde o início do jogo. Falaram‘macaco’, ‘Seu lugar é na selva’, ‘Volta para o circo’, coisas desse tipo", escreveu na súmula da partida vencida pelo time da casa por 3x2.

O árbitro descreveu também o estado em que encontrou o veículo após o jogo. "Meu carro havia sido pisoteado, as portas amassadas, bananas por cima do carro, todo arranhado. E o estacionamento é privativo do clube. Só têm acesso os funcionários do clube e a arbitragem. Tem um portão que é trancafiado e foi aberto". No Brasil, racismo é crime inafiançável.




Matéria original: Jornal Correio*

Time baiano é vítima de racismo na Copa do Brasil de futebol feminino