Futebol

Tite nega 'testes' contra a Rússia e avisa: 'Neymar é insubstituível'

Técnico confirma Douglas Costa na posição do lesionado atacante do PSG

Bernardo Mello, do O Globo
Para o técnico Tite, o amistoso contra a Rússia, nesta sexta-feira, não é momento de fazer testes. A três meses da Copa do Mundo, o treinador fará observações de jogadores que ainda disputam vaga na convocação final e também avaliará mudanças no esquema tático que costuma utilizar. No entanto, deixou claro em entrevista coletiva nesta quinta, após o treino de reconhecimento no estádio Lujniki, que a expectativa pelo Mundial de 2018 é secundária: o foco, de acordo com o treinador, é fazer uma exibição de alto nível contra os anfitriões da Copa.

Tite confirmou que promoverá as entradas de Thiago Silva, Willian e Douglas Costa no time titular, nos lugares de Marquinhos, Renato Augusto e Neymar, respectivamente. Este último, com fratura no pé direito, ficou fora da convocação. Tite aproveitará o momento para testar Philippe Coutinho em posição mais central, com Willian e Douglas abertos pelos lados. O técnico reconhece que sua equipe se comportará de forma diferente sem o craque do PSG, mas acredita em uma boa atuação mesmo com novas características.
Foto: Reprodução/ Instagram

- Em primeiro lugar, Neymar é insubstituível, pelo alto nível e qualidade que ele tem. Douglas Costa não vai substituir Neymar. Douglas Costa vai ser Douglas Costa. Temos que assumir uma responsabilidade enquanto grupo de sermos fortes. Não adianta colocar tudo nas costas do meu jogador mais midiático. Kaká já deu uma entrevista emblemática sobre ter sido eleito o melhor do mundo. Disse que só ganhou a Bola de Ouro porque a equipe dele estava muito bem. Neymar será forte com a equipe sendo forte. E a equipe tem que ser forte sem ele - afirmou Tite.
A formação 4-1-4-1, comumente usada pelo treinador, será o padrão do Brasil sem a bola. Casemiro ficará entre as linhas, e Coutinho ajudara na contenção ao lado de Paulinho, pelo meio, em função que normalmente fica a cargo de Renato Augusto. Com a bola nos pés, por outro lado, a seleção buscará se alinhar no 4-3-3, sempre com dois jogadores abertos. Embora a expectativa seja por Coutinho mais centralizado, Tite frisou que espera bastante movimentação no setor ofensivo para romper a marcação da Rússia, que costuma marcar com uma linha de cinco na defesa. Mesmo com seis substituições à disposição no amistoso, Tite não garantiu usar todas.
- Jogaremos em 4-3-3 na fase ofensiva, mas sem abrir mão de um meio-campo forte. Sempre vai ter um jogador, não vou dizer quem, que vai compor essa porção do meio-campo. Não vai ter absolutamente teste nenhum. É oportunidade, e quem não estiver bem terá seu substituto. Mas não premeditei nada. Vamos ler o jogo amanhã (sexta) para saber quem pode contribuir - disse o treinador.
O goleiro Alisson será o capitão da seleção brasileira no amistoso. É o décimo quinto jogador diferente a usar a braçadeira sob o comando de Tite, que fez questão de reforçar a responsabilidade trazida pela função - mesmo em um amistoso.
- Alisson diz que é uma honra (ser capitão). Mas também é uma responsabilidade maior. A capitania exige disciplina, alto nível técnico, sendo que cada um tem sua virtude. A capitania é motivo de orgulho, mas a ideia é também transmitir responsabilidade. É algo do tipo: 'Toma aqui essa responsabilidade para dividir comigo também' - declarou Tite.
Alisson, que vive grande fase na Roma (ITA), disse que a faixa de capitão não mudará seu comportamento:
- Quando você fala desse jeito, "ser capitão da seleção brasileira", só essa frase já mostra o tamanho que isso significa. Estou muito honrado com isso. Eu ser o décimo quinto também demonstra a força que esse grupo tem. Vivemos um ambiente muito bom, e cada um dentro da sua característica vem exercendo essa liderança no dia a dia. No momento em que isso for decidido (o dono da braçadeira na Copa), todo mundo vai estar preparado - avaliou o goleiro.