Principais avanços da humanidade têm exemplos nas Olimpíadas


Olimpíadas foram palco para a batalha ideológica

Está no íntimo de todo ser humano. O instinto de competição, a disputa por território, o desejo de se mostrar superior, mais forte, mais rápido, melhor. Os Jogos Olímpicos, criados 776 anos antes de Cristo, na Grécia, foram a primeira experiência organizada de reunião de povos diversos com objetivo de aferir sua supremacia, fora do estado de guerra.

As primeiras competições datam de 2,5 mil anos antes de Cristo. Os primeiros Jogos, porém, foram extintos em 392 a.C., pelo imperador romano Teodósio I, que proibiu qualquer manifestação religiosa. Durante os Jogos, os gregos adoravam os deuses do Olimpo. Foi somente em 1896, por iniciativa do francês Pierre de Fredy, o barão de Coubertin, que as Olimpíadas da Era Moderna ganharam corpo. Em Atenas, berço dos Jogos, 285 atletas de 13 países começaram a consolidar o maior evento de união dos povos.

Transformações – Na próxima sexta-feira começa oficialmente a trigésima edição das Olimpíadas. Em Londres, 10.500 atletas, de 192 países e 13 territórios, revivem o ideal que, ao longo de 116 anos, contribuiu e se confundiu com as maiores transformações sociais, políticas e econômicas do planeta. Foi em Paris, no ano de 1900, que pela primeira vez uma mulher, a tenista inglesa Charlotte Cooper, ganhou medalha de ouro, num tempo em que a mulher ainda buscava se afirmar na sociedade.

Principal entusiasta dos Jogos, o barão de Coubertin criou a bandeira olímpica, com os cinco aros entrelaçados, que representam os continentes. Os elos indivisíveis representam a integração que não pode conviver com guerras e crimes contra a humanidade. Por isso, nos anos de 1916, durante a I Guerra Mundial, 1940 e 1944, na II grande guerra, os Jogos foram suspensos.

Nas Olimpíadas não há espaço para tirania ou desrespeito  aos direitos humanos. A África do Sul foi banida dos Jogos por 32 anos. Depois de 1960, em Roma, só veio competir em 1992, em Barcelona, após o fim do apartheid. A Alemanha não sofreu sanções, mas, antes da II Guerra, foi palco de outra grande vitória da humanidade. Nos Jogos de Berlim, o ditador Adolf Hitler esperava provar, diante do mundo, a supremacia da raça ariana. Ao invés disso, assistiu ao negro americano Jesse Owens conquistar quatro medalhas de ouro. Hitler se retirou do estádio para não ter que entregar as medalhas.

Trinta e dois anos depois, outros dois negros americanos, Tommy Smith e John Carlos, ouro e bronze nos 200 metros rasos, quebraram o protocolo olímpico, sempre avesso a questões políticas. Com luvas pretas nas mãos, eles ergueram os punhos no pódio, gesto característico do movimento dos Panteras Negras, para protestar contra a discriminação racial nos Estados Unidos. Tiveram as medalhas cassadas, mas motivaram gerações de atletas negros daquele país.

Precursor – O Brasil só passou a frequentar as Olimpíadas em 1920  e estreou com o pé direito, com a medalha de ouro do tenente-coronel do exército Guilherme Paraense no tiro. Foi a primeira medalha de um país da América do Sul. A primeira mulher do continente a disputar os Jogos também foi brasileira. Maria Lenk competiu em 1932 e 1936 e, nessa última, introduziu o nado borboleta nos Jogos, durante uma prova de  peito. São vários os personagens que construíram a história olímpica, marcada por feitos e recordes, que são superados com o tempo. O que o tempo não apaga, porém, é o espírito olímpico, de buscar sempre evoluir, com respeito ao adversário, para honrar sua bandeira e inspirar seu povo.

Boicotes – Por várias edições, as Olimpíadas foram palco para a batalha ideológica entre os blocos capitalista e comunista, que polarizaram o poder no mundo dos anos 1960 aos 80. A Guerra Fria, que manteve o mundo sob ameaça de um holocausto nuclear durante anos, encontrava nas disputas olímpicas o espaço para o único confronto admissível e civilizado entre povos.

Era nos Jogos Olímpicos que as grandes potências mediam forças. A superação de recordes e dos limites do corpo era o ponto que unia as duas correntes econômicas e políticas. Fosse capitalista ou socialista, toda grande potência era, antes de mais nada, uma grande força do esporte. Lição que até hoje o Brasil não aprendeu. Mas, no final da década de 70, a tensão entre Estados Unidos e a então União Soviética atingiu níveis extremos com a invasão dos soviéticos ao Afeganistão.

Os EUA anunciaram boicote aos Jogos de Moscou 1980, que tiveram apenas 5.179 atletas, menor número desde Melbourne 1956, com ausência de 70 países, três vezes maior que o boicote dos países africanos em Montreal 1976, por questões raciais. No encerramento da Olimpíada, o ursinho Misha, mascote dos Jogos, representado num painel humano, chorou. A lágrima, de despedida, virou símbolo da mácula causada pelo boicote, que se repetiu em 1984, em Los Angeles, na revanche da URSS.

1 QUE ESTRANHO!2 G-53 NÃO TROQUE O HOMEM4 VOVÔ BOM DE TIRO
Já foram olímpicos
Cabo de guerra, levantamento
de peso comuma mão,arremesso de dardo e disco
comduas mãos e até o politicamente
incorreto tiro ao pombo.
Quinteto em todas
Só cinco países participaram
de todas as edições dos Jogos Olímpicos da Era Moderna:
Grécia, Grã-Bretanha,
Suíça, França e Austrália.
“O importante não é vencer, é participar”.
A frase atribuída ao barão de Coubertin foi dita por um bispo da Pensilvânia,
nos Jogos de Londres 1908.
O atleta mais velho
a ganhar medalha
Foi o sueco Oscar Swahn, aos 72 anos. Ele faturou a prata na competição de tiro nos Jogos
da Antuérpia, em 1920.

Principais avanços da humanidade têm exemplos nas Olimpíadas