Fitness

Entenda como o desempenho na musculação pode significar uma vida mais longa

Segundo estudo brasileiro, a velocidade e a potência em que esta atividade é realizada, tem um impacto direto na sobrevida

Ana Paula Blower, da Agência O Globo

Estudos já mostram que os benefícios da musculação vão além da estética. Agora, um novo trabalho de médicos brasileiros aponta que a velocidade, a potência em que esta atividade é realizada, tem um impacto direto na sobrevida. A pesquisa indica que quanto maior a potência — que significa levantar pesos com velocidade —, maior pode ser o seu tempo de vida. O estudo foi apresentado no EuroPrevent 2019, em Portugal.

De acordo com o principal autor do estudo, o médico do exercício e do esporte Claudio Gil Araújo, as descobertas são importantes, principalmente, para as pessoas com idades a partir dos 40 — quando a potência muscular começa a diminuir gradualmente.  

Foto: reprodução / Pixabay
— Levantar-se de uma cadeira na velhice depende mais da potência do que da força muscular, mas a maioria dos exercícios com peso concentra-se no último — explica Claudio Gil, diretor de pesquisa e educação da Clínica de Medicina do Exercício/CLINIMEX. — Nosso estudo mostra pela primeira vez que as pessoas com mais potência muscular tendem a viver mais.

Segundo o médico, em geral, valoriza-se mais a quantidade de peso a ser levantada ou o número de repetições do movimento do que a velocidade com que são realizados. Para bons resultados de treinamento de força, ele explica, é preciso adicionar velocidade.

Nesse sentido, o estudo aponta como uma alteração simples nos treinos pode trazer benefícios sem que isso acarrete altos custos. Diante disso, Claudio Gil pontua que os médicos deveriam considerar a medição da potência muscular em seus pacientes e aconselhar mais treinamento de pesos utilizando velocidade alta na fase principal do movimento, chamada de concêntrica.



— Em exercícios resistidos (musculação), só temos energia para poucas repetições de alta qualidade. A ideia então é fazer menos repetições, mas com mais qualidade. E, para isso, o interessante é usar potência, que significa força vezes velocidade. Não é só mover pilha de pesos, mas mover rapidamente — diz Claudio Gil, que acrescenta: — Não se machuca se fizer o exercício mais rápido, mas, sim, quando faz errado, que é o que ocorre quando se cansa durante as repetições e continua tentando executar mais algumas repetições.

Resultados da pesquisa

Com um acompanhamento médio de seis anos, constatou-se que homens e mulheres de meia-idade ou idosos (entre 41 e 85 anos) e com potência muscular máxima no movimento de remada alta cujos resultados se situavam dentre os 50% para a faixa etária e sexo tinham menor mortalidade.

Quando eram comparados aqueles com resultados entre 25 e 50% dos melhores, a taxa de mortalidade aumentava de quatro a cinco vezes. Já aqueles com menor potência de toda a amostra, nos 25% inferiores, foi observada uma mortalidade entre dez a 13 vezes mais do que aqueles com resultados dentre os 50% melhores.

— Não é necessário ter resultados espetaculares em potência muscular máxima, o benefício em redução de mortalidade já é percebido se está acima da mediana — destaca Claudio Gil.

Para o estudo, foram analisados dados de 3.878 não-atletas com idades entre 41 e 85 anos que foram submetidos a um teste de potência muscular entre 2001 e 2016. A pesquisa foi apoiada pelo CNPq e FAPERJ, e utilizou dados da Secretaria Estadual de Saúde do Rio.