Fitness

Exercícios sem tédio? Conheça as microacademias

Espaços menores e segmentados têm um cardápio reduzido de atividades

Agência O Globo
A música “Mia”, de Bad Bunnye Drake, tocava no volume máximo na sala praticamente escura, iluminada apenas por alguns feixes vermelhos e climatizada por um forte ar-condicionado. Poderia ser uma boate, se as pessoas estivessem dançando e não correndo. Sob o comando de um professor com microfone à la Madonna, elas seguiam ordens do tipo: “aqui ninguém fica parado”. Essa é a proposta da Race Bootcamp, academia com um tipo de atividade que mistura corrida com exercícios funcionais, pesos e elásticos, que tem feito sucesso no shopping Village Mall. A ideia do “campo de treino” é transformar o exercício físico numa experiência sensorial que vai muito além do cansaço ou do tédio, tão comum nas academias tradicionais.
Foto: Divulgação
— O nosso cérebro é dividido em duas partes: o lado esquerdo, racional; e direito, emocional. Quanto mais gatilhos a gente fizer para que a pessoa não tenha que usar o lado racional na hora da atividade física, mais ela vai ter prazer e se entregar — explica Franklin Bisneto, gerente técnico da Race Bootcamp, um braço da rede Bio Ritmo. — A cenografia, a música, as frases motivacionais dos professores, tudo isso mexe com as emoções dos alunos no momento.
A ideia da Race Bootcamp segue uma opção de negócio que tem sido sucesso de público na Europa e nos Estados Unidos: as microgyms , ou, em bom português, microacademias, espaços menores e segmentados, com um cardápio reduzido de atividades. O foco delas é investir muito mais no ambiente e na excelência de uma modalidade específica do que num quadro de aulas diversas e horários variados.
Mesmo academias maiores têm destinado alguns metros quadrados de suas unidades para áreas que funcionem como uma microgym . É o caso da nova filial da Bio Ritmo na Praia do Pepê, na Barra, que tem espaços especiais para treinos do próprio Bootcamp e até para ioga e meditação.
— Faz alguns anos que a gente está olhando principalmente para os Estados Unidos e a Europa, e hoje 40% desses mercados são das microacademias. Os estúdios aplicam treinos com especificidades, em que experiência é um fator predominante, até mais do que a própria atividade — diz Franklin Bisneto.
É o que acontece também, por exemplo, na Velocity, no Shopping Leblon, que levou a tradicional aula de spinning a uma sala cujo combo iluminação especial, playlist afiada, competição entre participantes, movimentos funcionais e simulação de cenários torna o treino ainda mais intenso e desafiador.
Se boa parte das novas academias se focam em mesclar exercícios aeróbicos (na esteira ou bicicleta) com movimentos funcionais (em que pesos ou elásticos acompanham movimentos ritmados que visam a trabalhar determinado grupamento muscular) para emagrecimento e definição, há quem prefira um tipo de musculação diferente. É o caso da Tecfit, com unidades em Ipanema, na Barra e no Recreio, cujo carro-chefe é a eletroestimulação muscular XBody, uma tecnologia surgida na Alemanha para atletas de alta performance e que promete resultados em hipertrofia.
Funciona assim: o aluno veste um colete de neoprene, que pesa aproximadamente 1,5kg, repleto de eletrodos, e faz exercícios que, à primeira vista parecem bem usuais, como agachamento, rosca bíceps etc. Só que em nenhum momento a pessoa levanta halteres ou anilhas. O peso todo é dado pela frequência preestabelecida numa máquina, comandada por um professor de Educação Física, que acompanha o aluno individualmente durante 20 minutos — o tempo máximo de treino por dia.
— Para um idoso e uma pessoa sedentária, que tem dificuldade em começar uma atividade física, pode ser uma boa estratégia inicial — diz o ortopedista Gustavo Asmar.
O médico, no entanto, salienta que é preciso ter atenção para a diversificação dos treinos, afinal não existem milagres:
— Todo exercício é excelente, mas o sujeito tem que estar ciente dos objetivos dele. A palavra-chave é periodização. <QL>É importante alternar treinos que estimulem o ganho de massa magra, mas também melhorem o condicionamento e a atividade cardiovascular.
Independentemente do tipo de treino e do local escolhido, é preciso passar por avaliações médicas e nutricionais. Se o objetivo for emagrecimento, isso ainda é mais vital.
— Muita gente que treina em alta intensidade quer emagrecer e está vivendo numa dieta de alface. A chance de ela fazer uma fratura por estresse é grande, já que está sem alimentação adequada — diz Gustavo.
Portanto, se houver O.k. de um cardiologista, ortopedista e nutricionista, é só colocar o tênis e acelerar.