FLICA

"Bule-Bule é isso, é uma festa andante"; conheça a história do artista que completa 48 anos de carreira

Referência na cultura nordestina, Bule-Bule lança mais um cordel durante a Festa Literária Internacional de Cachoeira

Pedro Enrique Monteiro (pedro.monteiro@redebahia.com.br)
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"Bule-Bule é um cara que é sinônimo de festa, sinônimo de alegria. Bule-Bule chegando você tem motivo para dar risada, motivo para parar para pensar, para observar distante do seu olhar, além do seu nariz, algo que nossa conversa pode gerar. Bule-Bule é isso, é uma festa andante".

"Bule-Bule chegando você tem motivo para dar risada", descreveu o próprio artista. Foto: Pedro Enrique Monteiro / iBahia


A descrição de Antônio Ribeiro da Conceição, o Bule-Bule, é a do próprio artista. Poeta, cantor, repentista e cordelista, Bule-Bule acumula uma trajetória de 48 anos de carreira. Prestes a completar 68 anos de vida, o artista está lançando na Feira Literária Internacional de Cachoeira (Flica) mais um de seus trabalho: 'O amor de Pedro e Rosinha ou o Valente Asa Branca enfrentando o Rei do Milho'. 


Natural do município de Antônio Cardozo, Bule-Bule conta que começou primeiro como músico, quando já cantava na igreja de São Felix, onde viveu dos quatro aos 12 anos. "Cantar eu canto desde criança. Agora escrever eu escrevi desde cedo, mas não publicava. Eu fui publicar o meu primeiro cordel em 1977. 'A tragédia de três amantes'", relembra o cordelista. 

Sobre o novo trabalho, ele explica que o cordel foi feito por encomenda de uma quadrilha de dança: "O pessoal pediu que eu fizesse um cordel dessa quadrilha. Eu peguei e suprimi a quadrilha do cordel e peguei o tema e ampliei. Fiz o cordel de 180 estrofes e sem citar a quadrilha e todos gostaram". Enquanto relembra histórias e conversa com o iBahia, Bule-Bule recebe visita de admiradores que pedem para tirar foto, autógrafos e até pedidos de cordéis por encomenda.

Artista tem incontáveis cordéis publicados durante 48 anos de carreira. Foto: Pedro Enrique Monteiro / iBahia


Atualmente a imagem do artista é gerida pelo filho Paulo Azevedo, que criou o Bule-Bule arte e cultura, onde reúne todos os trabalhos e projetos ligados ao artista. "Meu filho começou a tomar conta [da minha imagem], começou a usar essa linguagem moderna, essa linguagem dos jovens de facebook e instagram. Eu tava pensando que já estava parando, mas aí eu percebi que só estava começando", disse o artista. 


Além do site oficial, Bule-Bule também possui página no facebook, instagram, youtube e uma loja virtual. Além dos conteúdos digitais, eles mantém um espaço cultural em Camaçari, onde reside atualmente. Hoje com oito CDs publicados e dois DVDs gravados, Bule-Bule conta como começou na música. "Eu comecei com samba, aí depois fui pro repente. Aperfeiçoei meu canto em cima do forró pé de serra, chula, além de vaquejada", disse, lembrando dos DVDs gravados no Teatro Jorge Amado e no Teatro Sesc, ambos em Salvador.

Exposição de Bule-Bule Arte e Cultura durante a Flica. Foto: Pedro Enrique Monteiro / iBahia


Com uma carreira consolidada e de referência na cultura nordestina, Bule-Bule afirma que vive a vida com o princípio da dignidade humana. E assim finaliza o artista:


"Eu defendo o homem que fala a verdade, mesmo com prejuízo. E, pela verdade ele briga, mata e morre. Eu acho que viver desmoralizado não vale à pena. Eu sou extremamente vaidoso, mas eu pago pela minha vaidade. Isso é uma nobreza. Se eu disse que vai chover amanhã, se não chover eu jogo água e boto uma penera em cima. Pelo menos naquele lugar vai chover!".