FLICA

Mary Del Priore abre Flica 2016 discutindo a história do povo brasileiro

Escritora do livro "Histórias da gente brasileira" falou sobre a situação da mulher e dos negros no período do Brasil Colônia

Luiz Fábio Almeida (luiz.almeida@redebahia.com.br)
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A 6ª Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica), no Recôncavo da Bahia, foi aberta oficialmente, nesta quinta-feira (13), com a mesa literária comandada pela escritora Mary Del Priore, com mediação de Jorge Portugal. A historiadora brasileira falou sobre o seu livro "Histórias da gente brasileira" e contou momentos da formação do povo brasileiro.

Escritora Mary Del Priore. (Foto: Egi Santana/Divulgação)

Entre os destaques do bate-papo, Del Priore falou sobre a falta de interesse dos governantes no investimento da educação desde o período colonial. "É preciso incentivar o amor pelo livro. Mas estou aprendendo com toda essa série que nem toda a sabedoria está nos livros. O Brasil teve uma lacuna enorme na educação. São Paulo é um grande estado da nação, pois teve escola pública antes dos outros. Trabalhadores paulistas brigavam para que os filhos tivessem escolas para estudar", pontuou ela.Em outro momento da mesa, a escritora abordou a importância do negro no Brasil Colônia e tratou da resistência negra em outros períodos da história do país. "As Universidades têm um papel enorme sobre a resistência negra. A parte mais interessante da resistência surge no século XIX com a imprensa negra que vai trabalhar na divulgação das ideias abolicionista. A Bahia vai sediar um grupo de abolicionistas com médicos e advogados. É nesse momento que vamos ter uma organização maior. Pouca gente sabe teve nos anos 30 a frente negra brasileira, cujo o objetivo era inserir a população negra através de cursos de qualificação. Eles tinham milícias para proteger os negros de ser maltratados. O Getúlio [Vargas], com o golpe, vai acabar com a frente negra brasileira, que nunca mais se recuperaram. Nós temos muitos poucos representantes negros no Congresso."

Foto: Egi Santana/ Divulgação

A situação da mulher também é comentada no livro de Del Priore e foi discutida na conversa. "O problema são as mulheres brasileiras em transmitir o machismo. Eu estudei muito a mulher há um tempo atrás. A gente nunca pensa da violência da mulher contra a mulher, com puxada de tapete, facada nas costas e fofoca. Somos um povo violento. É preciso ser tolerante. A mulher está numa situação gravíssima e a própria mulher é em parte responsável. Estamos com anos de atrasos e precisamos corrigir isso", afirmou ela.Com programação envolvendo a cultura e literatura até o próximo domingo (16), a Flica é um evento do Governo do Estado da Bahia, realizado pela iContent (empresa da Rede Bahia) em parceria com a Cali.