FLICA

"Me reconhecer como mulher negra foi essencial para o meu trabalho", diz Ryane Leão

Com uma plateia majoritariamente composta por jovens negras na noite desta sexta-feira (12), a quinta mesa da Festa Literária de Cachoeira (Flica) foi marcada por temas como feminismo negro, racismo e relacionamentos abusivos

Isadora Sodré (isadora.sodre@redebahia.com.br)
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Com uma plateia majoritariamente composta por jovens negras na noite desta sexta-feira (12), a quinta mesa da Festa Literária de Cachoeira (Flica) foi marcada por temas como feminismo negro, racismo, relacionamentos abusivos e a força que cada mulher deve ter para superar as dificuldades. O debate foi composto pela poetisa e professora Ryane Leão, conhecida pela publicação dos seus versos nos Instagram 'Onde Jazz Meu Coração', pela escritora colombiana Margarita García e contou com a mediação da jornalista Vânia Dias.

Foto: Divulgação/Ricardo Prado
Ryane falou da importância se reconhecer como mulher negra e de como isso a ajudou a se desenvolver no seu trabalho e na sua vida pessoal. “Eu considero a minha leitura como escrita de transformação. Uma mulher negra que fala não é imbatível, pois eu vivo caindo, mas uma mulher negra que fala é uma mulher invencível”, disse.

Ela também ressaltou a importância da literatura em sua vida. “A poesia dá medo. Eu acredito na poesia como instrumento de transformação. E o afeto é uma ferramenta de construção e de reconstrução valiosa”, afirmou Ryane.
Foto: Divulgação/Ricardo Prado

A autora colombiana também relatou como vínculo com o feminino mudou a sua vida e de como a interatividade através das redes sociais faz com que a troca seja enriquecedora. "Nós estamos fazendo um tipo de literatura em que temos que nos colocar no lugar onde podemos ter várias vantagens. E é este o local que nós temos várias respostas e retornos, que é bastante enriquecedor”

Foto: Isadora Sodré/iBahia
Pela primeira vez na Flica, a psicóloga Eliade Tavares foi uma das pessoas que integrou a longa fila para pegar um autógrafo de Ryane Leão. Ela contou que acompanha o trabalho da escritora há seis meses através do Instagram e disse se identifica com as poesias pois falam do sentimento da mulher negra. "Os textos dela comunicam de uma forma direta e passam uma força especial", detalhou.

A Flica tem o patrocínio máster do BNDES e Governo do Estado, apoio da Prefeitura Municipal de Cachoeira e Caixa, e realização Cali, Icontent, Ministério da Cultura e Governo Federal.