FLICA

“O dever do artista é provocar reflexões”, diz Hugo Canuto

O debate, intitulado “Quer que eu desenhe? Perspectivas negras em quadrinhos”, aconteceu na tarde deste sábado (26) e foi mediado pela jornalista Luana Assiz

Isadora Sodré (isadora.sodre@redebahia.com.br)
- Atualizada em

A imagem, as palavras e a vasta cultura afro-brasileira: as obras do baiano Hugo Canuto e o paulista Marcelo D’Salette, os convidados da oitava mesa da Flica 2019, são é o retrato disso. O debate, intitulado “Quer que eu desenhe? Perspectivas negras em quadrinhos”, aconteceu na tarde deste sábado (26) e foi mediado pela jornalista Luana Assiz.

Foto: Divulgação
A Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica) é uma apresentação do Governo do Estado da Bahia, realização da Icontent e Cali, patrocínio da Coelba via Fazcultura e Governo do Estado, apoio institucional da Rede Bahia e apoio da Prefeitura Municipal de Cachoeira.

Durante a conversa, Hugo Canuto explicou a importância do lugar do escritor. “Nosso dever como artista é provocar reflexões e acredito que, nestes tempos que estamos vivendo, precisamos proteger e zelar pela nossa cultura afro-brasileira. Ela que é responsável pela nossa vivência, nossa forma de ver o mundo, de se relacionar com a natureza”, explicou emocionado.
Foto: Divulgação
O quadrinista Marcelo D’ Salete também reforçou a ideia de cuidar do nosso legado. "Nossa história é uma história que a gente conhece muito pouco. Agora ela está sendo revisitada e a gente trabalha para que ela seja democratizada e chegue ao maior número de pessoas", pontuou o autor paulistano.

Quando ao processo da criação de uma história em quadrinhos, que envolve linguagem escrita e visual, Canuto detalhou as características que envolvem este tipo de narrativa. “O quadrinho é uma arte democrática, parte de uma classe trabalhadora, de um processo de incentivo de alfabetização. O casamento da imagem com a palavra tem uma força, tem um impacto”, disse.

D’ Salete reforçou ainda a importância de contar histórias sob a perspectiva negra.”Revi muito minha história pessoal, familiar, para compreender essa relação entre Brasil e África (Angola, Benin, Nigeria). É uma historia que a gente conhece muito pouco pelas escolas e que hoje está sendo revisitada. Estamos pensando em obras que cheguem às pessoas, esse conhecimento existe na academia, mas é preciso sair das quatro paredes e ampliar”.

Mesa 8 - “Quer que eu desenhe? Perspectivas negras em quadrinhos”