FLICA

"O pior do racismo brasileiro é o olhar", diz Elisa Lucinda na penúltima mesa da Flica

Com a mediação da professora de Literatura Lívia Natália, a mesa foi intitulada de "A máxima potência que habita as palavras"

Naiá Braga (naia.braga@redebahia.com.br)
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 A nona e penúltima mesa da Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica) reuniu a delicadeza de Paulina Chiziane e a força da atriz e também escritora Elisa Lucinda na noite deste sábado (7). A combinação das diferentes essências se aproximou para discutir a construção e o uso da palavra. Com a mediação da professora de Literatura Lívia Natália, a mesa foi intitulada de "A máxima potência que habita as palavras". A discussão passou pelo processo de criação e inspiração das autoras, sobre o sofrimento amoroso vivido por gerações de mulheres negras e também pela  ancestralidade dos nossos discursos.

Foto: Paolo Paes
"Desconstruir os preconceitos que  foram criados, chorar também  as história da escravatura. Palavra é poder, é construção e desconstrução", disse  Paulina ao falar do objetivo do seu trabalho. Além de recitar seus poemas, Elisa Lucinda, por diversas vezes, pontuou sobre as "ciladas" do racismo no Brasil. "O que é pior no racismo brasileiro é o olhar", disse ao afirmar sobre os mecanismos de sutileza do racismo no cotidiano e também quando o recorte é a produção literária vinda de autoras. Animada, a atriz foi ovacionada diversas vezes e também não deixou de enfatizar o caráter político das discussões e relembrar o cenário socioeconômico do país.

Com mais de 20 autores confirmados, a última mesa da sétima edição da Flica será realizada às 10h do domingo (8). Com o tema " A imperdoável capacidade humana de apagar seus antepassados" terá como convidado os autores  Daniel Munduruku e Eliane Potiguara e mediação da pesquisadora Suzane Lima Costa. Confira a transmissão na íntegra: