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Balanço financeiro do Bahia - 2019

Bahia divulgou seus números de 2019; a auditoria foi da BDO Brazil

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Dia de mais uma thread de números de clubes. 

O Bahia divulgou seus números de 2019. A auditoria foi da BDO Brazil, e no site você confere todos os dados mencionados aqui.

Se liga no fio!

Começamos com a grana que entra. O clube apresentou crescimento de quase 40% em suas receitas operacionais. Alavancagem de receita concentrada em patrocínio, sócio torcedor e venda de jogadores. Sócio Torcedor com crescimento de 108% e venda de direitos econômicos de atletas com 144%.

Foto: Reprodução / Twitter Futebol S/A

Zé Rafael, Brumado e Rodrigo Becão concentraram o volume de vendas de direitos econômicos do clube em 2019. Grana de TV com oscilação pequena de R$ 75 mm para R$ 80 mm, lembrando que o clube levou R$ 20 mm em luvas em 2018 (50% em dez/2018) da Globo de TV aberta e PPV.

O Presidente Guilherme Bellintani, quando perguntado no nosso programa, em julho/2019, qual era o grande legado que ele gostaria de deixar ao fim da sua gestão, ele mencionou o tamanho econômico do clube. Vai conseguindo, com sobras, construir um cenário promissor ao Bahia.

Ponto interessante foi a receita de quase R$ 10 mm na loja oficial do clube deixando na última linha quase R$ 2mm. O CPV (custo de produtos vendidos) de 22% (em relação a Rec. Bruta) é um ótimo indicador para o varejo. Certamente pesa a condição diferenciada da marca própria.

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Abrir um parênteses nos números e colocar o organograma 2020 do clube. Notem que existe somente 1 Diretoria (Futebol) e gerências se reportando ao Presidente e VP. Assessorias suportam o Executivo na tomada de decisões. Quanto menos degraus, mais rápido é o processo decisório.

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No Balanço, note que o clube passou a se financiar mais com fornecedores. Em 2018, essa conta representava 10% do passivo circulante (PC) e passou a ser cerca de 27% em 2019. A guinada no formato de pagamento da TV fez com o clube buscasse linhas alternativa de financiamento giro.

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Outro ponto é que, de acordo com a resolução do Conselho Fed de Contabilidade, clube teve que lançar como receita a apropriar o valor de R$ 38 mm ref a luvas recebidas do Esporte Interativo. Em função disso, houve aumento do passivo de longo prazo. Não representa efeito no caixa.

Vamos lá para a grana que sai. Embora o custo das atividades tenha crescido 44% em relação a 2018, ela correspondeu 72% da Rec. Bruta enquanto que em 2018 esse número foi 70%. Portanto, o indicador ficou estável. Gastou mais na estrutura futebol mas teve receitas maiores.

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Abrindo um pouco a conta "acordos a pagar", notamos redução de quase R$ 4,7 mm em relação ao período anterior. O tempo e a adimplência dos pagamentos são caminhos naturais dessa diminuição. Existe cerca de R$ 35 mm em contingências provisionadas. Esse item se manteve estável.

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Na abertura dos desembolsos do Profut notamos que a dívida cresceu pouco por uma inclusão de R$ 3 mm em 2019. Importante esclarecer ao torcedor que sempre pergunta porque o clube paga tanto e a dívida não diminui. A resposta está ali na conta "juros". O clube desembolsou...

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... cerca de R$ 4,5 mm em parcelas do Profut sendo que só de serviço da dívida (juros) foram R$ 4mm. Ou seja, amortizou de dívida principal somente R$ 500 mil. Essa dívida é corrigida pela Selic que começou 2019 com 6,5% a.a. e encerrou com 4,5% a.a. Em 2020 já está em 3,75% a.a

ela regra do parcelamento Profut (20 anos e 15 anos, a depender do tributo), os clubes tiveram desconto de 50% nos dois primeiros anos, 25% no terceiro e quarto anos, e 10% no quinto ano do parcelamento. O clube aderiu ao fim de 2015. A amortização será maior nos próximos anos

Abertura da dívida bancária, o passivo de curto prazo em R$ 5,1 mm. Interessante a tomada de recurso no banco alemão IBB  com garantia dos recebíveis de Brumado para o Midtjylland da Noruega. Com o histórico positivo de crédito dessas equipes européias, fica mais fácil a...

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... captação de recursos por equipes que vendem direitos de atletas de forma parcelada. Demais operações na Caixa Econômica (recebíveis sócio torcedor), Bco. Paulista (recebíveis Zé Rafael) e Bco Daycoval(recebíveis PPV) . No geral, linhas de créditos com taxas dentro de mercado.

As mudanças no formato de pagamento da TV provavelmente  fizeram com que o clube recorresse mais a banco, no decorrer do ano. Prova disso é que o valor orçado em Resultado Financeiro furou a projeção de - R$ 6,3 mm, ficando em - R$ 8,8 mm.

Será difícil de você enxergar aí, mas se colocar uma lupa verá que os meses de abril à junho, além de novembro, foram meses difíceis no fluxo financeiro do clube. Note que em dezembro o caixa dá uma aliviada em função do pagamento restante da TV.

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Por fim, clube fechou com superávit final de R$ 3,8 mm. Nos últimos 5 anos, somente em 2017 fechou negativo. Na época muito puxado pelo custo das ativ. operacionais.


No relatório há menção ao plano de contingência iniciado em março de 2020 para diminuir os impactos do Covid-19.

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Todas essas informações estão no site do Bahia, na aba "Transparência".

O ano de 2020 promete ser de muito desafio ao futebol mundial. E, nessa toada, existem clubes que sobreviverão e podem sair mais fortes nesse processo. O Bahia é um deles.