Futebol S/A

O Nordeste é massa

Clubes organizados e torcidas engajadas fizeram muito bem ao Brasileirão 2019

Cáscio Cardoso, Futebol S/A
- Atualizada em

O Campeonato Brasileiro de 2019 chegou ao final registrando a segunda melhor média de público da história: 21.237 pagantes por jogo. A melhor da era dos pontos corridos. Uma série de fatores podem ajudar a explicar o fenômeno: arenas, planos de sócio-torcedores mais atraentes, VAR tentando dar mais “justiça” aos jogos, e, claro, o Flamengo, clube mais popular do país, em fase exuberante: dos 8.069.528 pagantes dos 380 jogos do Brasileirão, 1.045.477 pertenceram aos jogos com mando de campo do Flamengo. Cerca de 13%.


Porém, um fator deve ser destacado como motivo de orgulho no nordeste:  os clubes da região contribuíram muito para o sucesso de público do Brasileirão. Fortaleza, Bahia, Ceará e CSA conseguiram destaque e relevância (dentro de suas realidades e respectivos “mini-campeonatos”) dentro de campo e também nas arquibancadas.  Os 4 levaram, juntos, 1.825.026 torcedores aos estádios (quase 23% do público total), em seus 76 jogos como mandantes.

A “média Nordeste” ficou em 24.013 pagantes por jogo, que, caso fosse a média geral do Brasileirão 2019, seria a melhor da história, superando 1983, que registrou 22.953 pagantes por jogo.


A média de ocupação também seria maior que a média geral: 48% de ocupação dos estádios dos clubes do nordeste. Vale destacar que o Bahia teve que fazer 3 jogos da série A em Pituaçu, cuja capacidade é muito menor em relação à Fonte Nova. O que provoca alguma influência no público total e também na média de ocupação.  O CSA fez um dos seus jogos no Mané Garrincha (Venda de mando de campo. Ainda existe): contra o Flamengo, o público pagante foi de 37.458 torcedores, a um ticket médio de R$ 78 reais, o que também tem influência na média de público, no público total e no ticket médio. 

Por falar nisso, o ticket médio do Nordeste foi muito baixo. Observe nos números abaixo a colocação de cada clube no ranking e observe que o Fortaleza, 2º na média de público geral, foi último no valor de ingresso. Cenário que pode evoluir, mas que em nada descredibiliza o papel dos nordestinos na construção desse cenário de estádios mais cheios e coloridos. Clubes entenderam seu viés popular, sua identidade em uma região historicamente pobre do país e adequaram suas realidades sem abrir mão de uma competitividade que preservou 75% dos representantes na série A para 2020. Qualidade administrativa dando resultados e fortalecendo o futebol da região. E com a chegada do Sport (promovido à série A), clube de mais peso nacional e maior torcida que o CSA (rebaixado à série B), a expectativa é que o papel do nordeste dentro e fora de campo na série A 2020 seja ainda melhor. É a massa do Nordeste sendo massa para o futebol brasileiro.

Números gerais série A:

Média de público pagante da série A 2019: 21.237

Média de ocupação: 47%

Clubes do Nordeste:

Fortaleza: 32.999 média (2ª do campeonato)

Média de ocupação: 49% (8ª )

Ticket Médio: R$ 14,00 (20º)

Público total: 626.981 

Bahia: 26.338 média (6ª do campeonato)

Média de ocupação: 55% (6º)

Ticket Médio: R$ 19,00 (16º)

Público total: 500.422

Ceará: 26.011 média (7ª do campeonato)

Média de ocupação: 38% (12ª)

Ticket Médio: R$ 16,00 (18º)

Público total: 494.209

CSA: 10.706 média (17ª do campeonato)

Média de ocupação: 52%  (7ª)

Ticket Médio: R$ 33,00 (11º)

Público total: 203.414

Público total nos estádios clubes do Nordeste: 1.825.026 pagantes em 76 jogos.

Média geral do Nordeste: 24.013

Média de ocupação dos estádios no Nordeste: 48%

DICA:

Se quiser ouvir mais sobre o Brasileirão 2019, escute nosso programa 44, com o balanço final da competição. Clique aqui.