Moda e Beleza

Coloração pessoal: como é e como funciona essa análise de cores

Estudo é uma análise cromática feita de acordo com a pele das pessoas; mas o que isso significa na prática?

Cláudia Callado (claudia.callado@redebahia.com.br)
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Provavelmente, todo mundo, uma vez na vida, já respondeu qual é sua cor favorita. A preferência pode ser expressa através de objetos decorativos, acessórios ou roupas. Quem não tem no armário uma cor predominante? Pois é. No entanto, poucas são as pessoas que têm consciência – com dados, que vão além do ‘achismo’ –, do que, de fato, lhe cai melhor. E é aí que entra a coloração pessoal. 

Foto: Reprodução / Instagram Nathália Liquini

Realizado por consultoras de moda, o estudo é uma análise cromática feita de acordo com a pele das pessoas. Ou seja, para cada tipo de pele, seja ela branca, preta, manchada ou lisa, com olheira ou sem, há cores que funcionam melhor. 

Para realizar um estudo de coloração pessoa, é imprescindível que a pele esteja limpa, sem nenhum tipo de maquiagem, sem acessórios, sem brinco, sem piercing, sem nada. Além disso, a luz precisa ser natural. O objetivo é que não tenha nenhuma interferência externa, nem no ambiente, nem na cliente, que possa camuflar o resultado.

A partir daí, a profissional consegue identificar quais são as melhores cores que respondem a pele daquela pessoa. Como explica a consultora de moda e advogada, Marianna Cataldi. “A gente define quais são as melhores temperaturas e cores, entre cores quentes e frias, qual é a profundidade da cor, entre cor clara e cor escura, e qual é a intensidade, entre cor suave e intensa".

Como isso é feito? Através de tecidos específicos voltados para esse tipo de estudo. Eles são colocados próximos ao rosto da pessoa e, a partir daí, é feita a análise. 

“A análise de coloração nada mais é do que uma comparação. Então a gente compara cores, as dimensões das cores, e a partir daí vamos perceber o que fica bom, o que não fica, o que realça a beleza, o que pode destacar algo que a gente não queira. Até chegar nas famosas cartelas de cores”, explica a consultora de moda Nathália Luquini.


Cartelas de cores

A consultora Marianna Cataldi e um dos leques de cartela de cor / Foto: Divulgação / Marianna Cataldi
Com as comparações feitas, é possível, então, definir qual é a cartela de cor de cada pessoa. O Estudo Sazonal Expandido é o método mais utilizado e conhecido no universo da coloração pessoal.

Nele, existem 12 cartelas. Elas são divididas entre as estações do ano – verão, primavera, outubro e inverno –, e dentro de cada estação existe três possibilidades de cartelas.

Elas se subdividem em:

- verão: puro, claro e suave

- inverno: puro, intenso e profundo

- primavera: pura, clara e intensa

- outono: puro, suave e profundo

São elas que você já deve ter visto nas redes sociais, como uma gama de cores e tons, indo muito além das cores primárias que nós conhecemos. As cores têm camadas e elas são levadas em consideração. "As cartelas de verão e inverno, por exemplo, são referentes as cores frias, enquanto primavera e outono, às cores quentes", esclarece Cataldi. 

Na prática

A advogada Natália Rollemberg descobriu a coloração pessoal pelo Instagram e, ao se interessar pelo assunto e marcar um atendimento, descobriu também qual era sua cartela: outono escuro. 

“Na hora [dos testes] dá para ver a diferença, o que fica bom ou não em você”, conta Natália. 

Com a cartela certa em mãos, Natália admite que tem dificuldade de levá-la na loja, na hora das compras, para ficar comparando o tom “certo”. Mas conseguiu perceber, dentro do seu armário, o que funcionava para ela. 

“Fiquei feliz de já ter peças que se encaixava na minha paleta. Mas, por exemplo, tenho um brinco vermelho que sempre achei lindo, mas quando colocava, sentia que algo não estava bom. Entendi o que era ao descobri que aquele tom não faz parte da minha cartela”.

Muito mais do que ficar bonita

Para defender a coloração pessoal, tanto Marianna quanto Nathália, foram enfáticas: não se trata só de ficar mais bonita. Tem a ver com comunicação. 

“55% da nossa comunicação é não verbal. A nossa imagem comunica antes mesmo que a gente possa falar qualquer coisa. Então é sobre ter uma imagem que possa passar o que você quer transmitir sobre você. Independentemente de onde você esteja, no seu âmbito profissional ou pessoal, a sua imagem sempre vai passar uma impressão sobre você para as pessoas. Por isso é tão importante”, argumenta Nathália Luquini, que também é advogada.

Marianna faz coro ao que a colega defende. “Tem um estudo que identifica que nós temos seis segundos para ter uma impressão da pessoa. E essa impressão pode ser positiva ou negativa. Se a gente tiver com nossa imagem pessoal bem construída, bem analisada, com a identificação das cores que melhor nos apresenta, a gente vai ter a chance de construir uma imagem pessoal imediata para o outro bem melhor”.

Pretinho básico?

As profissionais também ressaltam que coloração pessoal não é uma prisão. A ideia do serviço não é “obrigar” as clientes a usarem só o que está na cartela. É, sim, mostrar o que mais favorece, mas também ensinar como usar a cor “errada” de maneira mais favorável para a imagem. 

Outono Escuro é uma das cartelas que possuem o preto / Foto: Reprodução / Instagram Nathália Liquini

“A coloração é um estudo e o resultado é uma indicação e não uma prisão. A gente inclusive orienta a como usar as cores fora da cartela de um jeito que não prejudique. Por exemplo, o preto não é uma cor neutra na coloração pessoal, ela só está presente em cinco das 12 cartelas de coloração, e não fica bem na grande maioria das pessoas. Então a gente fala para usar o cabelo solto, usar um decote maior mostrando um pouco mais de pele”, exemplifica Marianna. 

A revelação de que, para a coloração pessoal, o preto não é tão básico assim, pode acabar gerando uma frustração nas clientes. Afinal, é uma cor básica e fácil de usar. Mas Nathália também defende que é possível adaptar. 

“Eu sempre falo: ‘não tem problema. É uma cor que você usa muito? Tem a ver com a imagem que você quer passar? Então se for importante para você nesses aspectos, ele vai continuar na sua imagem'. O que vamos fazer é saber equilibrar. Usar uma maquiagem dentro da cartela, deixar o cabelo solto, porque o contorno do rosto é muito importante, acessório dentro da cartela. E trazer o equilíbrio de outras formas”, disse. 

Dá para fazer online? 

Para as duas consultoras de imagem consultadas, a resposta é não. Essa questão chega a gerar uma certa polêmica no meio, tendo algumas profissionais da área que fazem atendimento online.

No entanto, Marianna e Nathália não realizam o serviço via internet. Para elas, é imprescindível que seja presencial para terem, justamente, controle sobre os fatores externos, citados no começo do texto. 

“Porque tem que ter uma luz certa, se a cliente se posiciona em uma luz errada pode fazer sombra no rosto, pode fazer um movimento que interfira no resultado. Usamos tecidos que foram elaborados especificadamente para aquele fim.  E quando a cliente faz sozinha, ela vai pegar uma toalha que possa ter uma cor, uma blusa que possa ter uma cor, ou seja, pode não chegar no tom exato do tecido que nós usamos”, explica Nathália.

"Sem falar da câmera do celular ou do computador. A cor pode mudar. A gente não consegue emular a luz natural. A chance de a gente errar é muito maior”, completa Marianna.