Moda e Beleza

Método de raspagem de pelos e células mortas da face vira moda, mas divide especialistas

Médicos discutem o 'dermaplaning', sucesso entre blogueiras

Talita Duvanel, da Agência O Globo
Não são poucas as histórias em torno dos rituais de beleza de Marilyn Monroe, e uma delas (que muitos juram ser verdade) é que a diva barbeava o rosto. Além de tirar os finos pelos da face, a ideia era de que o uso de uma navalha também removesse cravinhos e células mortas da camada mais superficial da pele. Comum na época, o procedimento perdeu força ao longo do tempo, mas agora voltou com tudo e com um nome muito mais atrativo: dermaplaning . Febre nos Estados Unidos, o método chegou aqui com barulho e polêmica. Blogueiras de beleza e algumas esteticistas aderiram, mas muitos médicos condenam. Afinal, passar uma lâmina no rosto (muitas vezes, o trabalho é com um bisturi afiado) é bom ou ruim para a pele?
“Indico para as pacientes que têm muitos pelinhos no rosto e querem dar uma renovada nas células. Funciona como um peeling físico”, explica a dermatologista Apolônia Sales, que oferece o procedimento em suas clínicas na Barra e em Ipanema por R$ 250, a sessão. “Como é uma esfoliação superficial, não conseguimos usar como tratamento, por exemplo, para quem tem cicatrizes de acne.”
Foto: Reprodução
A médica diz que a pergunta que mais ouve em relação ao dermaplaning é se os fios podem crescer mais grossos, o que ela diz não acontecer. “Diferentemente dos outros pelos, os do rosto têm a mesma espessura da raiz às pontas”, diz ela, que ensinou à empresária Monique Barreto os benefícios do ritual. “Agora tenho feito sempre em casa mesmo, uma vez por mês”, diz a carioca, de 27 anos. “Sinto que a maquiagem adere melhor depois.”
Apesar dos benefícios citados por Apolônia e por muitos médicos e famosas gringas (lá fora, Issa Rae, da série “Insecure”, e Lily Collins, a Branca de Neve de “Espelho, espelho meu”, não pisam no tapete vermelho sem passar a lâmina no rosto), muitos dermatologistas brasileiros não são tão fãs da técnica assim. É o caso de Simone Veloso, que até concorda que não há perigo de engrossamento dos fios, mas há, sim, risco de foliculite. “Toda vez que você raspa ou depila, pode haver inflamação do pelo ao nascer”, diz a médica, destacando o perigo de cortes. “Não há como dizer que seja totalmente seguro porque é um método que depende de quem está fazendo, da força da mão, da frequência do intervalo de raspagem.”
Correr o risco de se machucar não faz sentido, dizem especialistas como o dermatologista André Braz, quando há opções cujo efeito é semelhante e o procedimento, mais seguro. “Não vejo vantagem nenhuma no dermaplaning ”, rechaça. “Ele dá um resultado que conseguimos com uma microdermoabrasão controlada dos peelings e dos ácidos”
Certo ou errado, o método tem uma unanimidade: as contraindicações. “Acne muito ativa, peles muito sensíveis, com rosácea ou alergia a lâmina não podem ser submetidas ao dermaplaning ”, diz Apolônia.
DERMAPLANING POR DEFINIÇÃO
O nome em inglês se refere ao método de abrasão do rosto com uma lâmina de barbear ou bisturi afiado. Depois de aplicar uma substância emoliente (pode ser óleo ou sabonete), faz-se a raspagem, retirando os pelos e as células mortas superficiais, que deixam o aspecto grosso e, muitas vezes, dificultam a penetração de ativos dos cosméticos.
EM CASA TAMBÉM É POSSÍVEL
Muitos consultórios e clínicas de estética oferecem o serviço, que é feito em torno de meia hora, com preço médio de R$ 250. Algumas marcas importadas, no entanto, vendem apetrechos  para que o dermaplaning possa ser feito em casa. Como os instrumentos são cortantes, é importante que somente uma pessoa utilize-os, para evitar contaminações.
QUEM TEM QUE EVITAR
Quem faz uso constante de ácidos (retinoico, salicílico, glicólico, etc.) fica com a pele mais fina por causa das reações químicas dos componentes. Por isso, não é aconselhado mais um tipo de esfoliação (no caso, com lâmina), sob o risco de desbastá-la demais. Pessoas com verrugas mais planas precisam de cuidado redobrado também, para evitar cortes e sangramentos.