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Boletim de Ocorrência relata oito socos dados pelo goleiro Jean contra a esposa

Milena Bemfica chegou a usar uma chapinha de cabelo para se defender, segundo o registro

Redação iBahia (redacao@portalibahia.com.br)
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O goleiro do São Paulo, Jean, agrediu a esposa, Milena Bemfica, com oito socos, segundo as informações presentes no Boletim de Ocorrência do caso registrado pelo Xerife do Condado de Orange, na Flórida. As informações são do GloboEsporte.com.

Foto: Reprodução/Redes sosicias
No documento divulgado pelo globoesporte.com, o policial responsável pela abordagem relata que Milena contou que ela e Jean discutiram na madrugada desta quarta-feira (18) no quarto do hotel onde estavam hospedados, em Orlando, na Florida (EUA). Ela relatou ainda que tentou acalmar o goleiro e logo após entraram no banheiro para continuar a discussão, mas uma das filhas do casal queria ir para a cama. 

De acordo com o registro, baseado na declaração de Milena, Jean seguiu a esposa, a puxou para a cama, subiu em cima dela e deus três socos na rosto da vítima. 

O documento relata também que Milena usou uma chapinha de cabelo para se defender e usou o objeto para ferir Jean.

O agente que atendeu a ocorrência encaminhou Jean para a penitenciária do Condado de Orange e, por entender que Milan agiu em legítima defesa, não apresentou acusações contra mulher.

Jean está preso nos Estados Unidos e já é possível ver sua ficha no sistema do Departamento de Correções do Condado de Orange, na Florida (veja abaixo). 

Foto: Reprodução

Confira a tradução do documento que foi obtido pelo globoesporte.com

"Em 18 de dezembro de 2019, aproximadamente às 4h35, eu, Xerife Adjunto Edgar Castillo fui acionado por causa de um caso de violência doméstica. Eu encontrei com (...) e Jean Fernandes. Jean foi considerado o agressor e preso por violência doméstica.

(...) Assim que cheguei ao local, a segurança do hotel já estava lá e me direcionou a (...). Quando cheguei a (...) um homem branco (Jean Paulo Fernandes) e uma mulher branca vieram à porta. Notei que a face (...) estava inchada e com hematomas abaixo dos olhos. Jean também tinha um pequeno hematoma na testa. Ao tentar falar com os dois, Jean não estava colaborando e foi preso com algemas durante minha investigação. Por estar com algemas, eu li a ele seu Direito de Miranda (advertência dada a um suspeito quando está sob custódia da Polícia dos EUA) antes de lhe questionar sobre o incidente.

Então eu falei com (...), que me disse tanto verbalmente quanto num testemunho escrito, sob juramento. (...) disse que ela e Jean estavam discutindo no quarto e ela estava tentando acalmar Jean porque (...). Eles foram ao banheiro discutir, mas (...) quis ir para a cama. Quando (...) foi para cama, Jean a seguiu e a empurrou na direção da cama. Ele então subiu nela e deu três socos no rosto dela. (...) Me disse que ela pegou a chapinha e acertou Jean na cabeça como autodefesa. A chapinha quebrou quando acertou a cabeça de Jean. Os dois ficaram de pé, e Jean continuava sendo agressivo com ela. Jean então partiu para cima dela de novo, então ela arremessou a chapinha nele, acertando-o na perna e cortando-a.

(...) tentou deixar o quarto, mas Jean a segurou pelo cabelo e a levou ao banheiro, onde ele a socou no rosto mais cinco vezes. (...) Ela não quer processá-lo quanto a este incidente. (...) Ela preencheu um formulário e recebeu um cartão com o número do caso relativo ao incidente. Eu falei com (...) quando eles se acalmaram. Ambos me contaram versões similares na qual viram... (Jean) socou (...) no rosto. Fotos de (...) e lesões de Jean foram colhidas como evidência.

(...) recebeu atenção médica no local, e Jean foi levado ao Dr. Phillips hospital para ter seus ferimentos tratados. Baseado na minha investigação, além de depoimentos e observações na cena, estabeleci como provável acreditar que Jean foi o agressor primário no incidente e intencionalmente causou ferimentos no corpo de (...). Porque Jean e (...) constitui violência doméstica. Além disso, os ferimentos que Jean recebeu foram de (...) agindo em autodefesa, e a ela não foi imputado nenhum crime. Jean foi transportado para a Prisão de Orange County sem incidentes. Ele não quis notificar o Consulado Brasileiro."

O que deve acontecer agora

Em casos parecidos com o de Jean, a justiça americana determina um valor de fiança a ser pago pelo acusado. Esta informação foi passada ao globoesporte.com por Alvaro Gubert, advogado brasileiro que atua no país.

De acordo com o entrevistado, após o pagamento da fiança, Jean poderá retornar ao Brasil. Já o processo prosseguirá, independentemente de a vítima voltar atrás nas acusações. O jogador poderá constituir um advogado na Flórida para defendê-lo por procuração.


A brasileira Flávia Santos Lloyd, advogada especializada em direito de imigração e professora de direito nos EUA, explicou ao globoesporte.com que é provável que uma fiança seja estabelecida para Jean deixar a prisão já que ele é réu primário.

Segundo Flávia, neste momento, o caso está na esfera criminal. Dependendo da gravidade das acusações e dos códigos nos quais o caso de Jean for enquadrado, a imigração pode ou não entrar no caso, elevando a situação para a esfera federal. 

"Nesse caso, a imigração pode mandar uma notificação de que há uma audiência. Se ele estiver em custódia criminal vai para a outra (de imigração). Caso tenha voltado ao Brasil, ele pode avisar ao juiz que já saiu do país (e um advogado seria o responsável por defendê-lo nos Estados Unidos)", disse Flávia Santos ao globoesporte.com.

A condenação prevê pena de prisão, porém é comum que ocorra uma conversão em prestação de serviços à comunidade, que podem ser cumpridos no Brasil, inclusive.