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Homem é acusado de manter seus filhos em cativeiro por quase uma década

Ele disse para seus filhos que a morte de sua mulher, em 2004, era culpa deles por terem tido contato com o mundo exterior

Agência O Globo

Um homem holandês enfrenta acusações de abuso sexual após manter seis de seus nove filhos em cativeiro por quase uma década, segundo a Procuradoria da Holanda. Gerrit-Jan van Dorsten, de 67 anos, dizia para seus filhos que "espíritos ruins" entrariam em seus corpos se eles falassem com estranhos.

Van Dorsten e cinco de seus filhos, já adultos, foram encontrados em uma fazenda em Ruinerworld, no norte da Holanda, após um sexto irmão conseguir escapar. O jovem ingressou em um bar local, cujos frequentadores alertaram a polícia.

Van Dorsten foi acusado de abuso infantil, lavagem de dinheiro e de manter seus filhos em cativeiro. Ele disse para seus filhos que a morte de sua mulher, em 2004, era culpa deles por terem tido contato com o mundo exterior.

Para justificar atos de abuso sexual, Van Dorsten dizia para as crianças que o espírito de sua mãe ou de "outra mulher espiritual" havia entrado em seus corpos.

Entre 2007 e sua descoberta, no ano passado, Van Dorsten também limitou o acesso de seus filhos à comida, bebidas e tratamento médico. Os seis caçulas nunca foram registrados ou frequentavam a escola, como a lei holandesa obriga. As alegações de abuso foram reiteradas por diários mantidos por Van Dorsten.

"As punições consistiam em espancamentos, às vezes com pedaços de madeira ou outros objetos, puxões de cabelo e, às vezes, forçá-las a sentar em uma banheira gelada por horas. Às vezes, elas eram asfixiadas a ponto de perderem a consciência", disse a procuradora Diana Roggen.

As seis crianças mais novas foram mantidas em reclusão desde o nascimento e separadas de seus irmãos mais velhos. Uma das filhas, de 15 anos, foi enviada para outra cidade enquanto seu irmão, de 12 anos, foi forçado a morar sozinho em um trailer.

Os três filhos mais velhos haviam saído de casa antes da reclusão começar, mas dois deles vieram a público com acusações de abuso sexual contra o pai, que ocorreram quando eram adolescentes. Eles dizem defender as acusações contra Van Dorsten, enquanto os cinco filhos encontrados na fazenda dizem rejeitá-las.

Segundo os promotores, os filhos mais novos passam por acompanhamento psicológico e estão vem, na medida do possível. Todos eles já têm mais de 18 anos.

Van Dorsten sofreu um derrame cerebral em 2018 que o incapacitou de falar por isso, não teve condições de participar da pré-audiência que aconteceu na cidade de Assen. Seus filhos acompanharam os procedimentos remotamente, mas poderão depor em etapas posteriores.

Um segundo suspeito, Josef Brunner, foi acusado de colocar em risco o bem-estar de outras pessoas e de auxiliar Van Dorsten a manter seus filhos em cativeiro. O austríaco, que pagava pelo aluguel da fazenda onde os reféns eram mantidos, nega sua participação e diz que é alvo de uma "caça às bruxas".