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No Twitter, a batalha virtual entre EUA e Irã

Troca de ameaças entre presidente americano e líderes iranianos movimentou a rede na última semana

Agência O Globo

A disputa entre os Estados Unidos e o Irã não se limita a ações militares. Desde o assassinato do general Qassem Soleimani, comandante da Força Quds da Guarda Revolucionária iraniana, em 3 de dezembro (dia 2 à noite no Brasil), os presidentes dos dois países e o aiatolá Ali Khamenei trocam ameaças pelo Twitter.

Após a morte de Soleimani, o presidente americano, Donald Trump, não utilizou palavras, tuitando apenas uma bandeira dos Estados Unidos, no dia 4 de janeiro. O presidente do Irã, Hassan Rouhani afirmou, por sua vez, em seu primeiro tuíte após o ocorrido, que o país iria se vingar por esse "crime hediondo".

"A bandeira do General Soleimani na defesa da integridade territorial do país e na luta contra o terrorismo e extremismo na região vai ser elevada, e o caminho de resistência contra os excessos dos Estados Unidos vão continuar. A grande nação do Irã vai se vingar por esse crime hediondo", escreveu Rouhani.

Quando voltou a comentar o assunto na rede, Trump afirmou que os EUA livraram o mundo de um "líder terrorista", que já havia matado tanto americanos quanto iranianos durante recentes protestos ocorridos no país.

O americano elevou o nível das declarações ao citar 52 possíveis alvos de grande importância para o Irã e sua cultura, e que poderiam receber ataques.



Sem mencionar o nome de Trump,  Rouhani respondeu a ameaça com o número 290. Os números são referências a 52 reféns americanos feitos pelo Irã nos anos 1980 e aos 290 mortos feitos pelos Estados Unidos a um avião comercial iraniano, também na década de 1980.

Trump seguiu ressaltando o poderio militar dos Estados Unidos em detrimento das forças iranianas. No último dia 5, o mandatário declarou que os americanos "são os maiores e melhores do mundo", menosprezando possíveis efeitos de retaliações iranianas.

Além disso, o retweet de conteúdos que deslegitimem a trajetória do comandante iraniano são recorrentes na página, como um vídeo publicado pela conta do Partido Republicano no Senado sobre o fim dos 20 anos de terror gerados por Soleimani.

No dia seguinte, o presidente americano retornou ao assunto, ao tuitar em letras maiúsculas que o "Irã nunca terá uma arma nuclear".

Após a resposta de Teerã ao assassinato de Soleimani, realizada por meio do lançamento de mísseis a duas bases americanas no Iraque, na madrugada de quarta-feira, Trump baixou o tom e apenas tranquilizou a população americana, minimizando os efeitos do ataque.

Já Rouhani afirmou que a resposta final ao assassinato será "chutar as forças americanas para fora da região".

O aiatolá Ali Khamenei, por sua vez, concentrou suas publicações com referências à memória de Soleimani, com vídeos do funeral e fotos de membros da família do comandante e de autoridades locais. Khamenei fez referência direta ao ataque de mísseis, feito pelo Irã, ao afirmar que a "presença corrupta dos Estados Unidos" na região deve ser interrompida.

Em sua última publicação no Twitter, o aiatolá utiizou a palavra "mentiroso" para se referir ao governo americano, destacando que a "nação iraniana" deu um tapa na cara" dos americanos.

As brigas virtuais entre Trump e os líderes iranianos já ocorriam antes da morte de Soleimani. No último dia de 2019, Trump condenou o Irã pelos atques à embaixada americana no Iraque. Ele escreveu que o Irã seria "integralmente responsabilizado pelas vidas perdidas ou dano causado a qualquer de nossas instalações" .

Khamenei respondeu, em tom de ironia, que se Trump fosse " lógico", ele veria seus crimes em países como Iraque e Afeganistão.

Para fechar a disputa, da maneira que ela começou, nesta quarta-feira, um dos assessores de Khamenei postou a bandeira do Irã nas redes.