Música Baiana

‘A pandemia não provocou um déficit cultural’, diz Pedro Pondé

Cantor, que lança álbum 'Simples Assim' nesta sexta-feira (12), bateu um papo com o iBahia sobre cultura, financiamento coletivo e cenário musical soteropolitano

Redação iBahia
12/03/2021 às 17h00

3 min de leitura

Nova fase na carreira, o mesmo Pedro Pondé de sempre. Nesta sexta-feira (12), o cantor lança o primeiro álbum solo. Fazendo jus ao nome, ‘Simples Assim’ reúne uma série de canções fáceis de tocar e de letras leves, que tratam de lembranças de dias melhores.

Foto: reprodução / Instagram

Não menos importante, o projeto não teria sequer saído do papel sem a ajuda dos fãs. Em um momento tão difícil para os artistas, a campanha de financiamento coletivo obteve grande mobilização dos admiradores do trabalho de Pedro Pondé e foi crucial para o lançamento.

‘Simples Assim’ representa o reencontro de Pedro com as origens, que fizeram parte da construção músical dele. Em entrevista ao iBahia, o cantor falou sobre o processo de produção do álbum, a bagagem cultural que carrega, bem como as perspectivas dele sobre o cenário artístico soteropolitano. Confira!

1. Um Pedro de mil e um ritmos

Antes mesmo do Pedro Pondé que curte rock e reggae, existe um artista que cresceu ouvindo Olodum, Timbalada, Xote e Lambada. O cantor se identifica com a cultura local e viu na carreira solo uma possibilidade de mostrar a pluralidade do trabalho que constrói. O próprio músico se considera influenciado por diferentes artistas e pode destacar o grupo Nação Zumbi, Maria Bethânia, Elis Regina e Gilberto Gil.

“O álbum trabalha com toda essa riqueza cultural, com o baiano, um povo aparentemente simples, portador uma cultura vasta, que abraça o mundo inteiro, mas não esquece quem é. Estou redescobrindo esse Pedro, um retorno a mim mesmo”, completa.

2. Simples nas letras, gigante nas participações

Uma outra característica que chama a atenção do álbum é a grande quantidade de participações especiais, como o baixista Du Grave, a cantora JULI e o saxofonista Gel Barbosa.

“É simples no sentido de ter músicas fáceis de tocar, mas a parte rica vem da preocupação com os ritmos e timbres, das pessoas que colaboraram. É um disco bem amplo, tem um pouco de tudo”, explica o cantor.


3. ‘A pandemia não provocou um déficit cultural’

Ao ser questionado sobre o que a música baiana tem de especial, Pedro Pondé não hesitou na resposta.

“A Bahia tem o que a África tem. Estamos para o Brasil assim como o continente africano está para o mundo. É um polo de riqueza, de vida, que alimenta o país inteiro. A pandemia não provocou um déficit cultural. Infelizmente, morreram muitas pessoas, mas a cultura é um bem imaterial, permanece viva”, analisa.

4. A união faz a força: as principais lições de ‘Simples Assim’

Muito mais do que um “abraço na guerra” e um brilho de esperança em tempos caóticos, ‘Simples Assim’ também mostrou para o cantor que a união faz a força. É que, além da participações de artistas, o projeto não teria vingado sem o suporte dos fãs, que se mobilizaram na campanha de financiamento coletivo.

“Eu sabia que ia dar certo, mas a maioria das pessoas só contribui de última hora, então passei por momentos de tensão. Muitos fãs toparam a contribuir com o pouco que tinham. Com a internet, me aproximei de alguns. Não é porque sou artista que não vou querer conversar”, relembra.

*Sob supervisão da repórter Isadora Sodré